domingo, 7 de julho de 2013

Desenvolvimento

A regra nos diz que um movimento de Peão na fase de desenvolvimento só é admissível quando é destinado a ocupar o centro do tabuleiro ou, pelo menos, tenha uma conexão lógica com essa ocupação. Ou seja, por exemplo, quando o movimento de Peão irá proteger o seu próprio centro ou irá atacar o centro do adversário.

Nas partidas abertas, após 1.e4,e5 jogar um d3 ou d4 logo em seguida, ou um pouco mais tarde, é sempre considerado um movimento correto.

Então, se apenas os movimentos de Peões descritos anteriormente são admissíveis, isso significa que os movimentos de Peões efetuados nas alas são pura perda de tempo.

Nesta forma de ver, em partidas fechadas, a regra aplica-se apenas de forma limitada, já que o contato com o inimigo não é completo e o desenvolvimento procede-se de uma forma mais lenta.

Resumindo:

Nas partidas abertas, a primeira lei do desenvolvimento é a velocidade. Cada peça só deve ser movimentada uma única vez.

Todo movimento de Peão deve ser considerado como perda de tempo, a menos que ele vá ocupar seu próprio centro ou atacar o centro do adversário.

Ou seja, como Lasker mesmo observou: na abertura, no máximo, um ou dois movimentos de Peões, nada mais que isso!

Estar à frente no desenvolvimento: esse é o ideal a ser alcançado!

Ir para frente e depois ter que voltar com a mesma peça sem um objetivo específico, é pura perda de tempo.

Por isso, e sempre que for possível, devemos fazer movimentos que, ao mesmo tempo que desenvolve uma peça, aproveita para atacar uma peça do adversário.

Vejamos o diagrama abaixo:

FEN : rnb1kbnr/ppp1pppp/8/3q4/8/2N5/PPPP1PPP/R1BQKBNR b

Essa é uma posição típica após jogados os seguintes lances:

1.e4,d5 ; 2.exd5,Qxd5 ; 3.Nc3

As pretas perderam um tempo pois terão que voltar com sua Dama, enquanto que as brancas, além de desenvolverem seu Cavalo, atacaram a Dama preta, tudo no mesmo lance.


 

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Xeque perpétuo



O xeque perpétuo acontece quando um dos jogadores coloca o Rei do adversário repetidamente e em seqüência, em xeque sem, contudo, conseguir o xeque mate.
Esse artifício é utilizado, normalmente, quando se está em posição inferior no tabuleiro e seu objetivo não é dar o xeque mate e sim conseguir o empate pela tripla repetição de posição.
Exemplo:
 

 
FEN : 5rk1/8/8/8/4Q3/q7/2P5/1K6 w
Jogam as brancas.
A posição mostrada pelo diagrama acima mostra um caso simples de xeque perpétuo.
As pretas ameaçam o xeque mate com 1.____,Rf1++ ou 1.____,Rb8++, por isso as brancas têm de lutar para tentar, pelo menos, o empate.
Isso é conseguido da seguinte forma:
1.Qg6+,Kh8 ; 2.Qh6+,Kg8 ; 3.Qg6+
Que resulta na posição original e volta toda a seqüência novamente, caracterizando-se o xeque perpétuo.
Outro exemplo:
 

FEN : r5k1/3RR3/8/4p3/4Pp2/2q2P2/8/1K6 w
Jogam as brancas.
Nesta posição, as pretas estão prestes a dar xeque mate nas brancas com Ra1++ e as brancas precisam evitar isso de qualquer forma, tentando arrancar um empate.
Ele é conseguido jogando-se:
1.Rg7+,Kh8 ; 2.Rh7+,Kg8 ; 3.Rhg7+,Kf8 ; 4.Rgf7+,Ke8 ; 5.Rfe7+ e assim por diante.
 

 

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Dúvida

Caros colegas,
Um pequeno trecho dos comentários sobre arbitragem do AI Antonio Bento:
 
Resultado errado - Jogador A vence a partida, mas as planilhas entregues registram vitória do adversário. O resultado permanece?
Pergunta: Num torneio aberto, no nervosismo de uma partida, involuntariamente, o jogador inverte a anotação na súmula da partida, registrando o lance das brancas no campo das pretas e vice-versa. E no final da partida entrega a súmula com a assinatura dos dois jogadores, mas com o resultado trocado. Obviamente, o árbitro faz o emparceiramento com base nos escores constantes das planilhas. No início da rodada seguinte os dois jogadores percebem o equívoco e alertam ao árbitro, que não aceita a reclamação (as regras do torneio eram claras, valeria o resultado registrado na súmula). Deveria o árbitro refazer o emparceiramento, mesmo atrasando a rodada, ou é absoluta a regra de que vale o escore que está escrito na planilha assinada pelos dois jogadores?

Resposta: Vejamos o que diz a lei do xadrez sobre episódios da espécie: "Terminada a partida, ambos os jogadores devem assinar as duas planilhas, indicando o resultado do jogo. Mesmo se incorreto, este resultado permanece, a menos que o árbitro decida de outra forma." (art. 8.7)

Como se pode observar o legislador deixou a critério do árbitro, manter ou não, o resultado registrado nas planilhas entregues. Em princípio, o resultado - mesmo que incorreto - permanece. O árbitro pode todavia decidir de outra forma.

Conclusão: O árbitro agiu corretamente. É claro que o emparceiramento da rodada, após oficialmente divulgado (tornado público), não pode ser modificado, exceto no caso de violação de critérios absolutos, consoante o disposto no FIDE HANDBOOK C.06.

Fiquei com uma pequena dúvida sobre o "fair play" no xadrez....!!!
Já que os dois jogadores notaram e alertaram o árbitro sobre a irregularidade acontecida, não seria de bom senso o árbitro acatar o alerta e marcar o resultado correto desenrolado no tabuleiro? 

Regras do Xadrez

Um pequeno trecho dos comentários sobre arbitragem do AI Antonio Bento:
 
Resultado errado - O que acontece quando o jogador reclama de erro do resultado de uma partida disputada em rodadas anteriores?
Pergunta: Logo depois da cerimônia de encerramento de um torneio disputado no ritmo de xadrez rápido, de 5 rodadas, um dos jogadores reclama de um resultado errado de uma partida da terceira rodada. Confirmado o erro e constatado que se lhe fosse atribuído o ponto da 3ª rodada o jogador alcançaria a terceira posição e teria direito ao troféu do 3º lugar. Como o árbitro deve proceder numa situação dessas?

Resposta: "Dormientibus non sucurrit jus" O direito não socorre aos que dormem, é o que diz o aforismo jurídico.
Significa dizer que não devemos demorar para buscar a proteção dos nossos direitos.
Nos torneios de xadrez rápido e relâmpago a anotação é facultativa uma vez que os "jogadores não precisam anotar os lances da partida" conforme o estipulado no apêndice B3 da Lei do Xadrez.
Logo, é praxe internacional, o jogador que vencer a partida comunicar o resultado para a arbitragem.

Conclusão: É inconcebível que o jogador não acompanhe a divulgação dos resultados, pontuações e emparceiramentos das rodadas. Assim, considerando que o jogador não reclamou, em tempo hábil, o resultado registrado no emparceiramento da terceira rodada, mesmo que incorreto, deve permanecer mesmo porque o direito do referido jogador prescreveu pela inércia.

Resumindo: bobeou.....dançou....!!!

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Você sabia?

Que o xadrez está presente no épico francês "Huon de Bordeaux", escrito no século XIII?
Nesta obra, que contém também elementos de romance, o herói, de mesmo nome do título, é um cavaleiro que, depois de matar involuntariamente Charlot, filho do Imperador Carlos Magno, é condenado à morte. Porém, tem uma chance de sobreviver se cumprir satisfatóriamente uma série de tarefas que lhe são impostas.
Todas as tarefas são, aparentemente, impossíveis de serem cumpridas, porém Huon passa pelo teste, com a ajuda do Rei das fadas Oberon.
Uma dessas tarefas de Huon era jogar uma partida de xadrez com a princesa. Caso ele perdesse, seria morto. Caso ele vencesse, teria a princesa como esposa. Ele venceu...!!!
 

Abertura escocesa


Após os lances 1.e4,e5 ; 2.Nf3,Nc6 ; 3.d4 produz-se a chamada "Abertura Escocesa".
 
 


FEN : r1bqkbnr/pppp1ppp/2n5/4p3/3PP3/5N2/PPP2PPP/RNBQKB1R b
Esta abertura visa o domínio do centro através do avanço do Peão d já no terceiro lance.
A continuação mais comum é:
3.____,exd4 ; 4.Nxd4,Nf6 ; 5.Nc3,Bb4 ; 6.Nxc6,bxc6 ; 7.Bd3
 

FEN : r1bqk2r/p1pp1ppp/2p2n2/8/1b2P3/2N1B3/PPP2PPP/R2QKB1R b
Neste ponto, surgem duas opções para as pretas:
7.____,0-0 ou
7.____,d5
Eu, particularmente, gosto mais da segunda.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Los compositores del silencio

Captado no blog: http://librodenotas.com/viajealajedrez/23229/los-compositores-del-silencio

Los compositores del silencio

«Existen dos tipos de compositores gemelos: los músicos, que juegan con el sonido, y los ajedrecistas, que trabajan con el silencio. Estos últimos, creadores de estudios, finales artísticos o problemas, han mantenido a través de los siglos la llama del ajedrez. Los compositores del silencio, maestros espirituales, nos muestran con sus obras, que la realidad, si la sabemos leer, es fantástica, transreal» (Eduardo Scala)
En anteriores artículos hemos visto la presencia del ajedrez en algunas formas artísticas como la fotografía, la danza, el cine o la literatura. Hoy hablaremos del propio ajedrez como arte.
Quien haya pasado largas horas frente a un tablero sabe que el ajedrez exige no sólo el uso de la razón, sino también altas dosis de intuición e imaginación creativa.
A diferencia de la música, que se puede disfrutar sin haber estudiado solfeo, de la literatura, donde se puede gozar sin ser escritor, de la pintura, que nos puede impactar aunque no sepamos dibujar, y de muchas otras artes, para deleitarse con el arte del ajedrez hay que saber jugar al ajedrez. Esto hace del juego de reyes un arte menos difundido y comprendido.
Podemos encontrar arte en partidas selectas y en combinaciones reales, pero donde sin duda lo encontramos es en las composiciones ajedrecísticas creadas para este fin. Existen varios tipos de composiciones: problemas, finales y estudios artísticos, entre otros.
Un problema de ajedrez es un pasatiempo que consiste en encontrar el desenlace a partir de una posición determinada y un número exacto de jugadas. Por ejemplo: Juegan blancas y dan mate en tres. Un estudio es diferente. Suele más complejo y profundo. En el enunciado nunca se menciona el número de movimientos, sólo el bando que juega y el bando que gana. Normalmente el número de jugadas y variantes es mayor que en un problema.
A diferencia de las partidas en vivo, más “materialistas”, los estudios y finales artísticos están más próximos a la filosofía y a la metafísica que a las ciencias exactas. Más allá del aspecto competitivo, el ajedrez posee una dimensión contemplativa y trascendente. Como apunta René Mayer, en el ajedrez de competición se plantea el qué ( ¿qué debo hacer? ), mientras que en el mundo de la composición artística lo relevante es el cómo ( ¿Cómo resuelvo el enigma? ).
Ya en tiempos remotos, los árabes consideraron al ajedrez (el shatranj) como algo más que un juego: una fuente de sabiduría y perfeccionamiento personal. Sus ingeniosos estudios, los “mansubat” (ver Del Shatranj al ajedrez. La irrupción femenina) servían de puente entre el mundo de las ideas y los problemas de la vida real.
Durante el siglo XIX hubo profusión de compositores de finales (Kling, Horwitz, Berger, entre muchos otros) que fueron perfeccionando los llamados finales analíticos. Al fines del XIX y principios del XX, la aparición de otros compositores como Troitsky, Rinck, Platov o Kubbel, supuso el comienzo de una nueva concepción de estudios de ajedrez: los finales artísticos. ¿En qué consiste la diferencia? Los finales analíticos tratan de finales de partida sencillos, de gran ayuda para la teoría de finales del ajedrez. Por lo general, no incluyen ideas brillantes, sino que son de carácter práctico. Por el contrario, los finales o estudios artísticos deben contener ideas interesantes y creativas. Como cita Genrikh Kasparian, « El final analítico se construye de acuerdo con las reglas, mientras que el final artístico es producto de la excepción de las reglas ». Genrikh Kasparian (1910-1995) está considerado como el mejor compositor de finales artísticos de la historia. Fue árbitro internacional de composición ajedrecística y cinco veces campeón de la Unión Soviética de finales artísticos.
Grandes Compositores: Henri Rinck, Leonid Kubbel, Mikhail Platov, Alexey Troitsky, Genrikh Kasparian, Alexander Kazantsev.

Para ilustrar el arte del ajedrez, he elegido un final artístico de Alexander Kazantsev como muestra de una brillante composición. A fin de que los lectores iniciados puedan tener una mejor comprensión de esta obra, he reproducido uno a uno los diagramas de todas las jugadas y las variantes principales explicando el estudio con detalle y sin tecnicismos. Los jugadores más experimentados pueden pasar directamente al diagrama final de la secuencia completa.
El estudio Kazantsev contiene diferentes temas de mate. Tras sorprendentes jugadas concluye con un final muy estético. Como veremos, cada pieza del tablero tiene su papel. La posición inicial, las amenazas potenciales y la secuencia de jugadas conforman un conjunto armónico que nos puede emocionar. Y así lo espero.
Las blancas juegan y ganan (Alexander Kazantsev, 1953)

Observemos la posición inicial. Las negras poseen ventaja material (dama negra por torre y tres peones blancos) y están amenazando a la torre blanca con su rey. Por su parte, las blancas tienen dos peligrosos peones que podrían coronar, aunque el de a7 está bloqueado por su propio rey, y el de h6 no puede avanzar a causa del alfil negro.
Antes de seguir leyendo, tomaros un minuto (o más) y pensad qué planes podrían llevar a cabo las blancas y qué peligros deben afrontar. Esta reflexión previa os permitirá ser protagonistas de la obra y disfrutar más del desarrollo del estudio.

La posición inicial contiene diversos elementos tácticos. Por un lado, las negras amenazan con la terrible jugada Axd5+ que, como veremos, conduce al mate. Por otro lado, las blancas tienen dos potenciales planes. Uno es acorralar al rey negro atrapado en la primera columna. El otro plan consiste en mover su rey para dejar libre la casilla a8 y poder coronar con el peón. Sin embargo, primero deberán salvar su torre. Las blancas podrían mover la torre a c5, manteniendo la defensa del peón de d5, pero esto permitiría al rey negro salir de la columna a donde está confinado.
La primera jugada es 1.Tb7!
Esta excelente jugada evita la amenaza Axd5+ de las negras que llevaría al mate en tres jugadas. Si la torre amenazada hubiera movido a otra casilla de la columna, por ejemplo a b6, las negras ganaban fácilmente. Veámoslo.

Y las negras dan mate tras capturar el alfil con la dama, puesto que la torre blanca está clavada, es decir, no puede moverse a b8 a causa del alfil negro que apunta al rey.
Pero hay más. Resulta que la jugada 1.Tb7!, a su vez, amenaza con un hermoso mate:

Esta es la idea inicial de la composición. ¿Cómo pueden defenderse las negras ante esta amenaza? Tras 1.Tb7! no sirve 1…Axd5, pues se repite la misma secuencia anterior, excepto que en vez de defender el último jaque con …Dd3, defenderían con …Ac4 y en la siguiente las blancas darían mate capturando al alfil defensor: Axc4 mate.
Visto el panorama, la mejor respuesta para las negras es 1…De5. Desde esta casilla la dama controla el jaque mortal del alfil blanco en e2 que hemos visto en la secuencia anterior.

Además, esta jugada de dama mantiene el control de la casilla b8.

Esto es importante, puesto que impide otro plan: que el rey blanco juegue 2. Rb8 amenazando con avanzar el peón de la primera columna y coronar con mate: 3. a8=D mate.
Sin embargo, pese a 1…De5, sorprendentemente las blancas seguirán con su plan inicial como si no hubiese pasado nada. Veámoslo.

¿Cómo se atreve el alfil blanco a autoinmolarse ahora que la dama negra controla la casilla e2? De momento, las negras no tienen más remedio aceptar el presente.

Las blancas han sacrificado su alfil y, con ello, han desplazado a la dama negra que ya no controla la casilla b8. Ahora, tras retirar su rey, las blancas amenazan con coronar su peón: 6.a8=D mate.
Frente a esta amenaza, podríamos considerar si las negras pueden obtener tablas por jaque continuo (cuando un jugador puede dar jaque indefinidamente, la partida queda en empate). Veremos que el peón blanco de d5 lo impide. (Recordad: todas las piezas del estudio tienen su función).

Y ahora, a causa del peón blanco en d6, las negras ya no pueden dar más jaques. Además, están perdidas puesto que no hay forma de evitar a8=D mate.
Así que lo mejor para las negras consistirá en controlar la última fila con su dama para evitar que el peón blanco corone dando mate.

La dama negra controla la casilla a8 y no necesita dar más jaques. Ahora las negras pueden permitirse capturar el peón de d5 con su alfil. De pronto parece que han cambiado las tornas y que las blancas están perdidas… ¡Sólo lo parece!

¡Increíble! Una jugada heroica. Por segunda vez las blancas ignoran la lógica defensa de las negras. No importa que la dama negra controle la casilla a8. Las blancas coronan su peón y entregan su nueva dama. ¿Cómo es posible?

Una jugada muy fuerte. Se amenaza directamente 11.Ta6 mate.

Esto evita 11.Ta6 mate. Una alternativa después de 10.b5!! sería devolver material pero con ello no se elude la victoria de las blancas. Por ejemplo:

Y las negras pierden, puesto que blancas coronan en el otro lado del tablero en la siguiente jugada.
Veamos pues, como concluye el estudio después de 10 … Ab7

Un impresionante final. El peón supera a la dama y alfil juntos, que lo único que hacen es bloquear las salidas de su rey. Ahora se entiende el sacrificio de dama 8. a8=D+! y el sacrificio de torre 11. Ta6+! que forzaron a las negras a colocar sus piezas en estas casillas, permitiendo un triunfo del espíritu frente a la materia.
Posición final

La secuencia completa del estudio:

Alexander Kazantsev (1906-2002) además de un entusiasta de lo desconocido, pionero de la ufología soviética y escritor científico y de ciencia ficción, fue un brillante compositor de estudios de finales de ajedrez. En 1975 le fue concedido el título de Maestro de Composición por la Comisión Permanente de Composiciones de Ajedrez de la FIDE.
Espero que este estudio no haya dejado indiferente a nadie. Una obra de arte en mayúsculas, equiparable a la Gioconda de Leonardo o al Réquiem de Mozart. Y ésta es sólo una de las muchas extraordinarias composiciones del silencio.

Alicia en el país del ajedrez (Segunda parte)

Captado no blog: http://librodenotas.com/viajealajedrez/23617/alicia-en-el-pais-del-ajedrez-primera-parte

 

Alicia en el país del ajedrez (Segunda parte)

«¡Qué pobre memoria es aquélla que sólo funciona hacia atrás!» (Lewis Carroll)
La primera entrega de este artículo concluía con la cuestión de porqué Lewis Carroll, dado el admirable encaje que hizo entre la fantasía del relato y la partida de ajedrez, no aprovechó para incorporar una secuencia de ajedrez real y significativa. La secuencia de ajedrez de Carroll es muy imperfecta: no alterna las jugadas de blancas y negras, obvía varias veces un jaque mate e incluso realiza un movimiento ilegal. Y sin embargo, tal como se deduce de las notas que nos dejó, Lewis Carroll fue un apasionado del ajedrez. No se han conservado partidas suyas y no sabemos cómo era su juego. Pero sabemos que resolvía mentalmente problemas de ajedrez como cura para el insomnio.
Como ejemplo de lo que hubiera podido ser y no fue, he seleccionado un problema de Sam Loyd, un genio de los acertijos quien también compuso originales problemas de ajedrez, y que además fue contemporáneo de Lewis Carroll.
Este problema tiene su historia. Un amigo de Loyd, Denis Julien, también compositor de problemas, aseguró en una ocasión que en cualquier problema de ajedrez podía ver al instante qué pieza no daría el mate. Loyd se tomó esta afirmación como un reto y compuso el siguiente problema:
Las blancas juegan y dan mate en cinco jugadas con la “pieza menos probable”

Posición inicial del problema. A la derecha, Sam Loyd.

Observando la posición, parece que la pieza que dará el mate será la torre de b5. (1… Td5 o 1…Tf5 amenazan mate en d1 o en f1). Sin embargo, desafiando a la chulesca afirmación de Denis Julien, resulta que la pieza que da el mate, es nada menos que peón de b2!
Y aquí surge el paralelismo entre el problema de ajedrez de Alicia y el problema de Loyd. Alicia (en este caso el peón de b2) hará un recorrido hasta llegar a la última fila, para convertirse en Reina y dar el mate, tal como ocurre en el cuento del espejo. Sin embargo, el recorrido de Loyd es extraordinariamente creativo y hermoso, a diferencia del recorrido de Carroll que no tiene ningún interés ajedrecístico.
Y es que, además, Loyd también tenía su lado romántico. Sam Loyd puso nombre a este problema y le llamó Excelsior, después de haber leído un poema de Henry Wadsworth cuyo último verso dice:
There, in the twilight cold and gray,
Lifeless, but beautiful, he lay,
And from the sky, serene and far,
A voice fell, like a falling star,
Excelsior!
Veamos la ingeniosa solución del problema de Loyd:

Pero volvamos al mundo de Alicia. Una conexión entre la verdadera Alicia y el ajedrez, proviene de su propia familia. Alice era sobrina del ajedrecista Henry Thomas Liddell, también conocido como Lord Ravensworth, quien aparece en la Enciclopedia Oxford de juegos de ajedrez, perdiendo una partida contra Howard Staunton en 1854.
En 1862, Lord Ravensworth se enfrentó también a Joseph Henry Blackburne, otro gran ajedrecista de la época, con quien consiguió unas tablas. (Ver partida Lord Ravensworth vs. Blackburne)
Es oportuno resaltar que Alice Liddell nació casi un año antes de La inmortal, la histórica y célebre partida entre Anderssen y Kieseritzky.
Por su parte, el polifacético Lewis Carroll, más allá de sus fantasiosos cuentos, fue un destacado matemático, dominó la lógica simbólica y demostró sentido artístico para el teatro, el dibujo y la fotografía. Publicó libros de lógica y matemáticas, e incluso una edición de obras de Shakespeare adaptada para niñas.
También fue el inventor de varios objetos. A él se le atribuye el primer juego de ajedrez de viaje, consistente en un pequeño tablero con agujeros en el centro de las casillas donde se insertan las piezas y quedan fijadas.
Ajedrez de viaje antiguo, supuesto invento de Carroll. Las piezas
son de estilo Sant George que, tal como veremos, era la talla más
universal a mediados de siglo XIX.

Y hablando de tableros, hace muy poco se descubrió un tablero de ajedrez muy especial. Los dibujos de las primeras ediciones de los libros de Alicia fueron realizados por Sir John Tenniel (1820-1914), famoso ilustrador del siglo XIX (ver las ilustraciones del artículo anterior). Según informó el diario británico The Telegraph en verano de 2012, un comerciante de libros raros descubrió un tablero de ajedrez que más tarde se confirmó que había sido pintado por Jonh Tenniel en persona. (Ver artículo del The Telegraph). El tablero está ilustrado con dibujos de los personajes de “Alicia a través del espejo”, con 16 tintas y acuarelas que podrían datar de 1875, cuatro años después de la publicación del libro.
El tablero de ajedrez de John Tenniel. A la derecha, detalle del marco bajo la casilla e1.

Volvamos a Carroll. Se dedicó a la fotografía cuando este arte estaba empezando y se especializó en retratos de niñas. Una parte de estos retratos fueron de niñas desnudas, previo permiso de la madre. A fin de que estos desnudos no crearan complicaciones, Carroll dispuso que, tras su muerte, fuesen destruidos o devueltos a las niñas o a sus padres. Se desconoce si ha sobrevivido alguno de estos retratos. Lewis Carroll siempre afirmó que las niñas fueron su fuente de inspiración y que su amor era completamente inocente.
Entre la colección fotográfica de niñas, no podía faltar el retrato de Alice Liddell, la niña de sus ojos, el dulce peón que un día se convertiría en Dama.
Fotografías tomadas por Lewis Carroll. A la izquierda, Alice Liddell. A la derecha, Beatrice Henley.

Poco se parece Alice Liddell a la Alicia representada en los dibujos originales de John Tenniel. Se ha dicho que Tenniel tomó como modelo a Beatrice Henley, otra amiguita de Carroll.
Las fotografías de Lewis Carroll se incluyen entre las más relevantes del siglo XIX. Entre ellas encontramos composiciones fotográficas con el ajedrez como motivo. Destaco aquí “Las señoritas Lutwidge”, tomada en 1859, donde aparecen Margaret y Henrietta Lutwidge (tías maternas de Carroll) jugando al ajedrez. La fotografía resulta interesante por su juego de contrastes. Los colores del fondo y el ropaje sugieren una dama blanca y una dama negra en las casillas de su color.
Las señoritas Lutwidge. Dos solteronas jugando una partida.

La posición que se muestra en el tablero corresponde al siguiente diagrama, en el momento en que tía Henrietta completa la jugada …Dd7. Puede observarse que tía Margaret (la dama blanca) tiene una posición inferior, pero aún hay partida.
Posición después de la jugada …Dd7 de Henrietta Lutwidge

Encontramos al ajedrez como motivo central en otras fotografías de Carroll que inmortalizan escenas familiares, como es el caso de las hermanas Smith o la familia Rosseti.
Smith Sisters, summer 1859 y fragmento de The Rossetti family de 1863

Una fotografía histórica, Group of Chess Players, podría haber sido tomada por Carroll. Pertenece a una colección fotográfica de la universidad de Princeton que fue mantenida por él mismo. En un diario personal, aparece una nota del el 10 de agosto de 1866: «Pasé gran parte del día viendo el torneo de Ajedrez». La fecha coincide con un torneo de ajedrez jugado en Redcar (Yorkshire).
Participantes del torneo de ajedrez al que Carroll asistió. El ganador del torneo, Cecil de Vere, es el joven al centro izquierda, de pie con los brazos cruzados. Al frente, sentado y sosteniendo sobre las rodillas su sombrero de copa, vemos a Howard Staunton.

El señor que sostiene sombrero de copa se haría un sitio en la historia del ajedrez por diversos motivos. Situémonos un poco en el contexto ajedrecístico que rodeó a Lewis Carroll. Howard Staunton, con quien Carroll bien pudo intercambiar unas palabras aquel día, fue un fuerte jugador que dominó el ajedrez británico. En 1843 perdió ante Saint-Amand, considerado el mejor jugador de Francia, pero el mismo año le ganó en una revancha en el Café “La Regence” de París. En este Match se jugó por primera vez la llamada apertura Inglesa (1.c4) sistema que sigue siendo utilizado hoy día en el ajedrez de alto nivel.
La apertura Inglesa: 1.c4

En 1859 Paul Morphy, viendo que en América no había rival capaz de ganarle, viajó a Europa para enfrentarse a los mejores jugadores del mundo. Pasó como el viento y los derribó a todos. A todos excepto a Staunton, quien supuestamente presa del miedo, eludió el enfrentamiento alegando que estaba ocupado en su edición de las obras completas de Shakespeare. Este hecho fue muy criticado por el público. Resultaría interesante saber qué opinó Carroll al respecto, quien también realizó unas adaptaciones de Shakespeare para niñas en aquella época.
Staunton fue un personaje muy activo en el ajedrez del siglo XIX. Además de jugador, organizó torneos internacionales fundó y editó revistas de ajedrez y escribió varios libros. Su obra El manual del jugador de ajedrez se convirtió en el estándar de introducción al juego.
Por aquellos tiempos había una fuerte demanda de juegos de ajedrez y convivían muchos estilos de piezas distintos. Frecuentemente se producían confusiones de una pieza por otra según el diseño de las piezas con que se jugaba y la costumbre que tenía cada jugador. En general, estos patrones eran bastante complicados y caros de reproducir.
Conjuntos de piezas de diversas tallas comunes en el siglo XIX: Inglesa, Washington, Windsor, Regency, Calvert y St. George.

En aquel momento la talla más universal era la Saint George, precisamente la representada en los dibujos de John Tenniel en “Alicia a través del espejo”.
En el dibujo de Tenniel, vemos al del rey blanco con los característicos anillos sucesivos de la talla Saint George.

Nathaniel Cook, editor del The Illustrated London News donde Staunton escribía regularmente una columna de ajedrez, diseñó y patentó una talla de piezas innovadora. Su diseño era muy equilibrado. Las piezas, bien diferenciadas y fáciles de reconocer, resultaban muy estables debido a una base más amplia que la de los diseños anteriores. Howard Staunton anunció y recomendó en sus artículos este juego de piezas que acabaría tomando su nombre. (Los primeros 500 juegos fueron firmados y numerados por el propio Staunton).
El diseño original de Nathaniel Cook creado en 1849. Este diseño ha dado lugar a pequeñas variantes de la llamada talla Staunton hasta nuestros días.

La talla Staunton se fue imponiendo hasta que en que en 1924 fue seleccionada por la Federación Internacional de Ajedrez como el estándar de las piezas del juego.
Volvamos a Carroll. En otro de sus diarios describe un desplazamiento expreso a Londres para presenciar una importante partida de ajedrez. Se trataba nada menos que de una de las partidas del match Anderssen vs. Steinitz, que precisamente resultó ser un punto de inflexión en la historia del ajedrez.
Cuando el invencible Paul Morphy regresó a América y desapareció de la escena, el alemán Adolf Anderssen ostentó la supremacía mundial entre 1859 y 1866, año en que sufrió un gran descalabro ante un joven rival llamado William Steinitz.
Este encuentro fue considerado más tarde como la primera disputa del título mundial de la época contemporánea, aunque el primero que tuvo caracter “oficial” fue el siguiente match en el mismo año, en el que Steinitz se enfrentó a Johannes Zuckertort y volvió a ganar. (Ver List of chess world championship matches).
La derrota de Andersson fue un hito importante en la historia del ajedrez pues representó el fin del período romántico y la aparición una nueva concepción del juego, en que lo importante no era la belleza sino la exactitud. Se inauguraba así la época de las aperturas de Dama, donde se pasó del juego abierto y principalmente combinativo al juego cerrado, posicional y estratégico.
Lewis Carroll, pues, fue un privilegiado testigo presencial de la victoria de Steinitz sobre Anderssen que dejó atrás el ajedrez romántico.
En la quinta partida del match (Anderssen jugaba con blancas) se llegó a esta posición después de la jugada de Stenitz 16…h6.
Posición después de 16…h6

Anderssen jugó 17.Ce6 y acabó perdiendo en 44 jugadas. Tal como nos descubre Antonio Guide en su artículo “Brillanteces que Anderssen no vio”, aquí el blanco tenía una jugada extraordinaria que ganaba con una combinación púramente romántica que habría pasado a la historia. Paradójicamente, el mejor jugador romántico no la vió y permitió que se impusiera el ajedrez posicional de Steinitz.
Veamos cómo hubiera podido ganar brillantemente Anderssen con su juego romántico.

Resulta como mínimo curioso que un hombre como Stenitz, que destacó en el ajedrez por tocar de pies en el suelo, asegurara también estar en comunicación eléctrica con Dios y que podía vencerle dándole un peón de ventaja. (Ver artículo anterior Ajedrez demencial)
«El peón es la causa más frecuente de la derrota» dijo una vez Steinitz. Una afirmación que tomaría mucho sentido en el ajedrez que se avecinaba y que metafóricamente encaja de maravilla con la aventura de Alicia.
En definitiva, Lewis Carroll utilizó el ajedrez como base para crear una fantasía literaria que poco tiene que ver con el ajedrez. Y al mismo tiempo vivió muy de cerca momentos históricos, desde el cambio profundo de la concepción del juego hasta el origen de la forma de las piezas que día tras día millones de ajedrecistas tocamos con las manos.

Alicia en el país del ajedrez (Primera parte)

Captado no blog: http://librodenotas.com/viajealajedrez/23617/alicia-en-el-pais-del-ajedrez-primera-parte

Alicia en el país del ajedrez (Primera parte)

El sol pega fuerte en el Támesis esta tarde de verano de 1862. El Sr. Dodgson está remando despacio mientras las pequeñas Liddell (Edit, Lorina y Alicia) lo miran con admiración.
—Hace un calor ardiente —dice el Sr. Dogson con una sonrisa—, desembarcaremos allí y bajo la sombra de aquellos árboles junto a la pradera os contaré un cuento.
Charles Lutwidge Dodgson (1832-1898), más conocido como Lewis Carroll, se inventó aquel día un sueño que dejó fascinadas a las tres niñas. Cuando terminó, Alice Liddell le pidió encarecidamente que se lo escribiera para no olvidarlo. Carroll ya había sido cautivado por aquella niña desde hacía tiempo, así que, sin dudarlo, lo escribió y dos años más tarde le regaló el manuscrito a la pequeña Alice.
En 1871, años más tarde de la publicación de “Alicia en el país de las maravillas”, Lewis Carroll escribió la secuela “A través del espejo y lo que Alicia encontró allí”.
Ambos libros están escritos en un lenguaje sencillo, apto para niños. Sin embargo, estos disparatados y extraños sueños están repletos de juegos de palabras, referencias a personajes reales y guiños de todo tipo: paradojas científicas y matemáticas, juegos de lógica, símbolos freudianos… Es por ello que los adultos han mostrado interés en estos cuentos desde que se escribieron hasta nuestros días.
¿Qué pinta Alicia en esta columna sobre el ajedrez? Bien, en anteriores artículos ya hemos ido viendo cómo el ajedrez se extiende y sirve de base en muchas disciplinas artísticas y científicas. Alicia no fue una excepción. Toda la alucinante historia de “A través del espejo” transcurre sobre un gran tablero de ajedrez.
Alicia llega a un mundo imaginario atravesando un espejo y nos transporta a una extraña realidad, donde todo ha sido trastocado. Conceptos como el tiempo, la lógica y la relación causa efecto no tienen cabida en esta realidad concebida por Carroll.
«Qué maravilloso sería si consiguiéramos entrar en la Casa del Espejo! ¡Estoy segura de que tiene cosas preciosas! Y a decir verdad, el espejo empezaba a deshacerse como si fuese una bruma brillante y plateada. Un momento después, Alicia atravesaba el cristal, y saltaba ágilmente a la habitación del Espejo»


«Esta habitación no la tienen tan ordenada como la otra, pensó Alicia para sí, al descubrir varias de las piezas de ajedrez en el hogar, entre la ceniza; pero un momento después, con una exclamación de sorpresa, se puso a gatas para observarlas con atención. ¡Las piezas deambulaban de aquí para allá, por parejas!»
La relación entre el viaje de Alicia y la partida de ajedrez que se desarrolla fue analizada sin éxito por diversos ajedrecistas de la época. Poco antes de su muerte, en una edición 25 años después de la primera publicación de “A través del espejo”, viendo el escepticismo general y la falta de comprensión de su problema de ajedrez, Lewis Carroll añadió el siguiente prefacio:
«Como el problema de ajedrez ha desconcertado a algunos de mis lectores, quizá convenga decir que está correctamente resuelto en lo que se refiere a las jugadas. Quizá no se cumple la alternancia de jugadas rojas y blancas con todo el rigor que debiera, pero el jaque del Caballero Blanco, la captura del Caballo Rojo, y el jaque mate final al Rey Rojo las encontrará, cualquiera que se tome la molestia de colocar las piezas y efectuar los movimientos como se indica, estrictamente conformes con las reglas del juego»
Y lo ilustró con el siguiente diagrama:


El problema de ajedrez que subyace en el relato no es fácil de desentrañar. El enunciado “Blancas juegan y dan mate en 11 movimientos” es confuso. De hecho, el primer movimiento realmente lo hacen las negras (rojas). El número de jugadas de las blancas es de 13 (o de 14 si consideramos la posición inicial, que en realidad no es un movimiento). Además, las blancas juegan 13 veces mientras que las negras (rojas) sólo efectúan 3 movimientos.
A pesar todo ello, resulta notable la fusión que hace Carroll entre una partida de ajedrez y la disparatada fantasía. Por ejemplo, Alicia en ningún momento intercambia palabras con una pieza que no esté en una casilla contigua a la suya. Excepto la torre de f1, todas las piezas mostradas en el diagrama establecen contacto en algún momento con Alicia.
Poco después de penetrar en el mundo del espejo, Alicia contempla un prado (el mundo) como un inmenso tablero de ajedrez, un tablero de nunca acabar.
«Durante unos minutos, Alicia permaneció callada, contemplando el campo en todas direcciones: era un campo de lo más singular. Tenía numerosos arroyuelos que lo recorrían de parte a parte en línea recta, y el terreno que quedaba entre uno y otro estaba dividido en cuadros mediante pequeños setos verdes, que iban de un arroyo a otro»


Las filas de casillas del gigantesco tablero están separadas unas de otras por arroyos. Las columnas están divididas por setos. A lo largo del cuento, Alicia avanza por la columna de dama. Sabemos que Alicia hace una jugada cada vez que cruza un riachuelo.
Tras encontrarse con la Reina Roja, Alicia entrará en la partida de ajedrez convirtiéndose en un peón blanco.
« —¿De dónde vienes? —dijo la Reina Roja —. ¿Y adónde vas?»


« —No me importaría ser Peón, con tal de poder jugar… aunque naturalmente, me gustaría más ser Reina —. Miró con cierta timidez a la verdadera Reina al decir esto; pero su compañera se limitó a sonreir complacida, y dijo: —Eso se puede arreglar fácilmente. Puedes ser el Peón de Reina Blanca, si quieres, y para empezar, estás en la Segunda Casilla; cuando llegues a la Octava Casilla te convertirás en Reina…»
1.d2
Alicia se sitúa en la casilla d2. En realidad este movimiento como tal no puede existir, puesto que d2 es la posición inicial del peón de dama cuando empieza una partida de ajedrez.


Como puede observarse, Alicia es el único peón en el tablero. Durante su camino, se relacionará con el resto de las piezas, excepto con la torre, con quien no tendrá ocasión de estar en una casilla adyacente. (También se encontrará con otros personajes delirantes que nada tienen que ver con las piezas de ajedrez y a los cuales no haré referencia en este artículo). Da la impresión que las piezas vivientes ignoran el plan del juego y no saben si se mueven por su propia voluntad o son empujadas por dedos invisibles.
Tras la conversación con la Reina Roja, ésta se aleja a toda prisa, realizando el primer movimiento de las negras.
«No esperó a que Alicia le hiciese una reverencia en esta ocasión, sino que siguió andando deprisa y se volvió un instante para decir: —Adiós —, y continuó corriendo hasta el final»
La Reina Roja se ha desplazado al extremo del tablero.
1…Dh5


En todo el relato, las Reinas se mueven alocadas de un lado para otro, mientras que los Reyes permanecen inmóviles, tal como ocurre generalmente en las partidas de verdad.
Introduje esta posición en el programa de ajedrez Fritz y en menos de un segundo resolvió el problema ejecutando al rey negro: 2.Cg3+ y aquí, cualquiera de las jugadas que haga el negro recibe mate rápidamente:
Si 2…Rd4 3.Dc3 mate.
Si 2…Rd3 3.Dc3 mate
Si 2…Re5 3.Dc5+ Re6 4.Dd7 mate.
Pero con esto habría terminado el maravilloso cuento casi antes de empezar. Ya hemos dicho que el objetivo trazado es que Alicia llegue a la octava fila para convertirse en Reina, así que Carroll se concentra en su protagonista que inicia su camino avanzando dos casillas hacia adelante (o hacia atrás, según del lado del espejo por donde se mire). Curiosamente ha sido la Reina Roja quien ha convencido a Alicia de que avance por su columna hasta la octava casilla. Con este consejo, pues, la Reina se ha protegido a sí misma.
« —¡Tengo muchas ganas de llegar a la Tercera Casilla! —De modo que, con esta excusa, echó a correr cuesta abajo, y saltó el primero de los seis arroyuelos»
Alicia se dirige a d3 y allí tomará un tren que le llevará a d4.
« —De todos modos, el tren nos va a llevar a la Cuarta Casilla; ¡lo cual es un consuelo! —, se dijo. Un momento después sintió que el vagón saltaba directamente en el aire; y, con el susto, se agarró a lo que tenía más a mano, que resultó ser la barba del Chivo»
2. d4


Ahora, tras 2.d4, Alicia se ha situado al lado del rey negro, quien en estos momentos se encuentra profundamente dormido:
«—Ahora está soñando —dijo Patachún—; ¿Con quién dirías tú que está soñando?
—Eso no se puede saber —dijo Alicia.
—¡Pues contigo! —exclamó Patachún palmoteando triunfalmente—. Si dejase de soñar contigo, ¿dónde crees que estarías tú?
—Donde estoy ahora, naturalmente —dijo Alicia.
—¡Ni mucho menos! —replicó Patachún con desprecio—. No estarías en ninguna parte.
¡Vamos, tú no eres más que un objeto soñado por él!
—Si ese Rey se despertase —añadió Patachunta—, ¡paf!, te apagarías como una vela »
Una sugerente observación, puesto que al final del cuento, la partida de ajedrez resultará ser un sueño de Alicia.


«Un instante después apareció la Reina Blanca corriendo alocadamente por el bosque, con los brazos abiertos, como si volara»
La Reina Blanca acude a c4, situándose justo al lado de Alicia.
3.Dc4


La despreocupada Reina Blanca hubiera podido dar mate en una con la evidente 2.De3#, en vez de ir a c4. Una vez más, Carroll ignora un movimiento que concluía la partida. Desde c4 La Reina Blanca conversa con Alicia mientras ésta le arregla el pelo.


Durante la charla con Alicia el viento se lleva el chal de la Reina a c5, y ésta corre tras él, con lo que las blancas repiten movimiento otra vez.
«Se le había soltado el prendedor mientras hablaba, y una ráfaga repentina se había llevado el chal al otro lado de un arroyuelo. La Reina abrió nuevamente los brazos, y voló tras él; esta vez consiguió atraparlo ella. —¡Ya lo tengo! —, gritó triunfalmente —¡Verás ahora cómo me lo sujeto yo sola!»
4.Dc5


La Reina Blanca, ahora podría dar mate con 5.Dc2#. En vez de ello, es Alicia quien avanza a la siguiente casilla.
«Entonces, supongo que tendréis el dedo mejor, ¿no? —dijo Alicia muy cortésmente, cruzando el arroyuelo detrás de la Reina»
5. d5


Tras entrar en una tienda Alicia vuelve a tratar con la Reina Blanca, quien ahora ha tomado forma de oveja.
«La Oveja cogió el dinero, y lo metió en una caja; luego dijo: —Yo nunca pongo las cosas en la mano de la gente…, no conviene; tienes que cogerlo tú misma —. Dicho esto, fue al otro extremo de la tienda»
El movimiento de la oveja al otro extremo de la tienda corresponde la jugada de la Reina Blanca a f8.
6.Df8


La Reina Blanca no da una. Esta vez daba mate con 6.Dd4#.
« —¡Qué extraño, encontrar árboles aquí! ¡Y además, hay un arroyuelo! ¡Pues sí, es la tienda más extraña que he visto en mi vida!»


7.d6


Alicia cruza el riachuelo en barca, avanzando a d6. Ahora está en la casilla de la derecha del Rey Blanco con quien intercambia unas palabras.
«¿Te has cruzado con soldados por casualidad, pequeña, cuando venías por el bosque?
—Sí —dijo Alicia—; eran varios miles, creo.
—Cuatro mil doscientos siete; ése es su número exacto —dijo el Rey, consultando su cuaderno—. No he podido mandar todos los caballos porque hacen falta dos en la partida».


Desde d6, Alicia ve a lo lejos a la Reina Blanca desplazándose por la octava fila.
« —¡Mirad, mirad! —gritó, señalando ansiosamente —. ¡Es la Reina Blanca, cruzando el campo a toda prisa! ¡Ha salido de aquel bosque de allá…, qué deprisa corren estas Reinas! —Seguro que las persigue algún enemigo —dijo el Rey sin volverse siquiera. —Ese bosque está lleno de enemigos. —Pero, ¿no acudís a ayudarla? —preguntó Alicia, sorprendidísima de ver con qué tranquilidad se lo tomaba. —¡Es inútil, es inútil! —dijo el Rey—. Corre a una velocidad tremenda. ¡Es como si quisieras atrapar a un Zumbabadanas!»
8.Dc8


La Reina Blanca ha huido del Caballero Rojo cuando podía haberlo capturado amenazando 9.Dd5 mate.
«Pero antes de que Alicia pudiese contestar, empezaron los tambores.
No podía localizar de dónde procedían los redobles: llenaron el aire, y le penetraron la cabeza hasta que se sintió ensordecer completamente. Se puso en pie de un salto y cruzó desalada el arroyuelo, presa de terror»
Cruzando de nuevo un arroyo, Alicia ha avanzado a la casilla d7.
9.d7


Alicia esta apunto de coronar, pero antes sufrirá un percance.
«En ese momento, sus pensamientos fueron interrumpidos por una voz que exclamó: —¡Eh! ¡Ahí! ¡Jaque! —y un Caballero, vestido con armadura carmesí, corrió al galope en dirección a ella blandiendo una gran maza. Tan pronto como llegó adonde estaba Alicia, el caballo se detuvo en seco: —¡Eres mi prisionera! —, exclamó el Caballero, al tiempo que se caía del caballo»
Por fin han jugado las negras. El caballo negro ha movido a e7, justo al lado de Alicia, dando jaque.
9…Ce7+


Pese a dar jaque y amenazar a la dama blanca, de acuerdo a la lógica convencional, la jugada del negro es un sacrificio inútil, puesto que el caballo blanco controla e7. Sin embargo, este jaque consigue retrasar la coronación de Alicia. Metafóricamente, pues, el Caballero Rojo la mantiene prisionera.
«En cuanto se acomodó en la silla, empezó de nuevo: —Eres mi… —, pero aquí le interrumpió otra voz, clamando: —¡Eh! ¡Ahí! ¡Jaque! —, y Alicia se volvió un poco sorprendida hacia el nuevo enemigo. Esta vez se trataba de un Caballero Blanco. Llegó junto a Alicia y se cayó del caballo exactamente como se había caído el Caballero Rojo; luego montó otra vez, y los dos Caballeros se quedaron mirándose mutuamente durante un rato sin decir nada»
Resulta curiosa la llegada del Caballero Blanco a e7, anunciando «¡Jaque!», puesto que un jaque al propio rey carece de sentido. Pero así son las cosas en el mundo del espejo.
«—¡Como ves, es mi prisionera! —dijo el Caballero Rojo por fin.
— ¡Sí, pero después he llegado yo y la he rescatado! —replicó el Caballero Blanco.
—Bueno, entonces tendremos que luchar por ella —dijo el Caballero Rojo, al tiempo que cogía su yelmo y se lo colocaba.
—Naturalmente, respetarás las Reglas del Combate, ¿verdad? —advirtió el Caballero Blanco, poniéndose el yelmo también.
—Siempre lo hago —dijo el Caballero Rojo; y empezaron a descargarse golpes el uno al otro con tanta furia que Alicia se situó detrás de un árbol para que no la alcanzaran los golpes»


La derrota del Caballero Rojo indica la jugada Cxe7 en la partida.
10.Cxe7


«Así siguió hablando consigo misma, mientras observaba cómo el caballo caminaba sosegadamente por el sendero, y se caía el caballero, primero por un lado y luego por el otro. Después de la cuarta o quinta caída llegó al recodo; entonces agitó ella el pañuelo, y aguardó a que se perdiera de vista».


Tras vencer al Caballero Rojo, el Caballero Blanco se despide y regresa a f5, la casilla que ocupaba antes de capturar el caballo.
11.Cf5


«—… y ahora, al último arroyo, ¡y a ser Reina! ¡Qué solemne suena eso! —unos cuantos pasos la llevaron al borde del arroyo —.¡Al fin la Octava Casilla!, ¡Ay, qué contenta estoy de haber llegado aquí! ¿Qué es esto que tengo en la cabeza? —, exclamó consternada, llevándose las manos a algo pesadísimo que tenía ajustado alrededor de la cabeza. Era una corona de oro»


Tras saltar el último riachuelo, Alicia alcanza d8 y se convierte en Reina.
12. d8=D


«Todo estaba ocurriendo de una forma tan extraña que no le sorprendió lo más mínimo descubrir sentadas junto a ella a la Reina Roja y a la Reina Blanca, una a cada lado»


Esto indica que la Reina Roja acaba de ocupar la casilla e8.
12…De8+


El Rey Blanco se encuentra en jaque con esta jugada, aunque ninguno de los dos bandos parece darse cuenta.
«Pero en vez de a la Reina, vio a la pierna de cordero sentada en la silla.
—¡Estoy aquí! —, exclamó una voz desde la sopera; y Alicia se volvió otra vez, justo a tiempo de ver la cara de la Reina que le sonreía por encima del borde de la sopera, antes de desaparecer en la sopa»
Aquí la Reina Blanca se ha alejado de Alicia y se ha situado en a6.
13. Da6


Esta jugada transgrede las reglas del ajedrez. La dama negra está dando jaque desde e8. Las blancas hubieran debido apartar su rey, cubrir el jaque en d7 con una de sus damas, o bien capturar la dama negra. ¿Cabía esperar otra cosa de las insensatas criaturas de atrás del espejo?
Las negras no efectúan ningún movimiento (en la siguiente jugada, moverán otra vez las blancas). Dicho de otra forma, tras Da6 (movimiento ilegal) las negras ganarían capturando al rey blanco, con lo que, más que un sueño, el relato hubiera resultado ser una pesadilla. Sin embargo resulta notorio que con este movimiento a a6, la dama blanca controla la casilla de escape del rey: d3 lo que permitirá un mate a la siguiente.
«—En cuanto a vos —prosiguió, volviéndose furiosa hacia la Reina Roja a la que consideraba causante de todo el alboroto…, pero la Reina ya no estaba a su lado: se había reducido súbitamente al tamaño de una muñeca, y estaba ahora sobre la mesa, dando vueltas y vueltas alegremente, persiguiendo su chal, que arrastraba tras de sí. En cualquier otro momento, Alicia se habría sorprendido del cambio; pero ahora estaba demasiado excitada para que la sorprendiese nada. —En cuanto a ti —, repitió, cogiendo al pequeño ser en el mismísimo instante en que saltaba sobre una botella que acababa de posarse en la mesa, —¡te voy a sacudir hasta convertirte en gatita, ahora verás!»


Esta es la captura de la Reina Roja por parte de Alicia. En consecuencia, es un jaque mate al Rey Rojo, que ha estado durmiendo durante todo el problema de ajedrez sin moverse.
14. Dxe8 jaque mate


La joven Reina Alicia ha detenido el jaque latente de las negras, capturando a la Reina Roja y dando un definitivo jaque mate. Esto la despertará del sueño: las piezas dejaran de tener vida propia para convertirse de nuevo en pequeños objetos de madera. Aunque el jaque mate pone fin al sueño, deja sin respuesta la cuestión de si el sueño era de Alicia o el del Rey Rojo.


La secuencia completa:


Un estudio del ajedrecista Christophe Leroy atribuye a cada pieza del cuento un personaje real de la época. El peón Blanco es Alicie Liddell, la niña “musa” de Carroll también protagonista de “Alicia en el país de las Maravillas”. El caballero blanco representa al propio Lewis Carroll así como el Caballero Rojo, su lado oscuro. El Rey Blanco y la Reina Blanca representan al matrimonio Liddell, padres de Alicia en la vida real. La Reina Roja simboliza a la reina Victoria, contemporánea de Lewis Carroll. La torre blanca corresponde a la White Tower (una prisión infame de Londres), que simboliza la conservadora sociedad victoriana del siglo XIX. El Rey Rojo es el misterio, la parte de los sueños que todos tenemos. Lewis Carroll sueña con la niña Alicia en todo el cuento y utilitza a los dos caballeros para expresar su mensaje.

Postal y con la edición de sellos conmemorativa de la coronación de Alicia enviada a Charles Lutwidge Dodgson (Lewis Carroll) al Christ Church College de Oxford, donde impartía clase de matemáticas.

Tras haber recorrido paso a paso toda la secuencia de jugadas del cuento, hay algo que no logro explicarme. ¿Cómo es posible que Carroll no aprovechara para incluir un estudio real de ajedrez? Un problema imaginativo y hermoso hubiera puesto la guinda a su relato. Una secuencia de jugadas por turnos, con posiciones legales, y con un desenlace impactante. Sin embargo, más allá de su carga simbólica, el problema de ajedrez de Carroll tiene muy poco interés ajedrecísticamente hablando. Se sabe que Carroll era un buen aficionado al ajedrez. Asistió a torneos de la época (ver segunda parte de este artículo), llegó a conocer a problemistas y tras su muerte se encontraron diversos tratados de ajedrez en su biblioteca. Carroll hubiera podido componer un problema o inspirarse en algún problema existente y, sin embargo, no lo hizo.
En la siguiente entrega tendremos ocasión de descubrir otros interesantes vínculos entre Alicia, Lewis Carroll y el ajedrez.