quinta-feira, 24 de junho de 2010

Será que alguém ainda duvida?

 

Xeque-mate na sala de aula

Assembleia discute projeto para tornar o xadrez atividade extracurricular nas escolas gaúchas

Conhecido por estimular o raciocínio lógico, a intuição, a concentração e a capacidade de planejamento, o xadrez pode entrar na rotina dos estudantes das escolas públicas estaduais. Levar o jogo para o ambiente escolar, como uma atividade extracurricular, é o objetivo de um projeto de lei criado pelo deputado Alexandre Postal (PMDB), que tramita na Assembleia Legislativa. A expectiva é que seja aprovado ainda este ano.

O deputado explica que a ideia do texto, que dispõe sobre implantação do Programa Estadual de Ensino do Xadrez (PEX), surgiu de uma proposta apresentada por estudantes no evento Deputado por um Dia, realizada em junho de 2009, no Colégio Estadual Monsenhor Peres, de Vista Alegre do Prata, na serra gaúcha.

Outra inspiração foi a experiência da Escola Estadual Nova Bréscia, que estimula a prática e credita a ela o alto desempenho dos seus alunos na disciplina de matemática, tendo inclusive recebido o Prêmio Nacional de Referência em Gestão Escolar.

– Vi a oportunidade como sendo uma alternativa pedagógica para o desenvolvimento dos alunos, e que pode ser implementada posteriormente nas escolas municipais – diz o deputado.

O doutor em Psicologia Escolar pela Universidade de São Paulo (USP) Fernando Becker concorda que a técnica estimula habilidades, mas defende que a proposta deva ser tratada como um tema transversal dentro do currículo escolar. Ou seja, o professor até pode inserir a atividade, desde que ela seja tratada como um complemento para ajudar os alunos a atingir os objetivos da disciplina. Becker destaca, ainda, que o xadrez produz o que promete se for realizada uma análise da estrutura lógica após o fim do jogo.

– Observar o caminho, as regras e as possibilidades percorridas durante o jogo é fundamental para extrair o que o xadrez tem de melhor – alerta.

Jogo melhorou desempenho em matemática e português

A Escola Municipal de Ensino Fundamental Tiradentes é um exemplo. Localizada na Vila Anair, em Cachoeirinha, a escola está provando que, para jogar xadrez, basta ter vontade. Na instituição, crianças de baixa renda se divertem com o jogo que já foi considerado de elite.

A professora Luciana Beatriz Santos dos Santos, uma das incentivadoras desse projeto, conta que a mania entre os alunos começou em 2008, quando eles foram apresentados ao jogo em uma oficina, realizada no turno inverso ao das aulas. Deu tão certo que hoje eles aplicam o conhecimento durante o recreio.

– Analisamos o rendimento dos alunos que jogavam xadrez e concluímos que houve uma melhora significativa na aprendizagem deles – relata.

Segundo Luciana, essa melhora foi observada principalmente na parte de produção de texto e na matemática, fazendo com que eles se tornassem mais ágeis na resolução dos problemas.

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