quarta-feira, 30 de junho de 2010

Arbitragem

 

Algumas perguntinhas capciosas para vocês:
1. Como funciona a tal regra da "peça tocada é peça jogada"?
2. Em um torneio, o árbitro está observando uma das partidas quando o jogador de brancas toca em uma de suas Torres com a intenção de movimentá-la, entretanto, analisando melhor a posição, repara que talvez esse não seja um bom lance.
Coloca a Torre de volta em seu lugar e efetua um movimento com a sua Dama, acionando o relógio.
Questões:
2.1 - O árbitro deve ficar calado diante do fato?
2.2 - O árbitro acusa que o jogador tinha tocado a Torre e deve movimentar essa peça?
2.3 - Há punição cabível para o fato narrado?
3. Supondo que o jogador de brancas, ao perceber que o árbitro viu a troca de movimentos, resolve perguntar ao adversário se ele permite a volta do lance com a Torre, qual o procedimento correto que se deve tomar?
3.1 - O adversário pode permitir a troca de movimentos?
3.2 - O árbitro continua calado?
4. Não estando o árbitro presente, o jogador de pretas paralisa o relógio, chama o árbitro e faz a reclamação.
4.1 - Qual o procedimento que o árbitro deverá tomar?
Boas pergunta, não?
E aí, cadê as respostas?
Respostas:
Para a pergunta 1:
[ Cabe, aquí, todo o artigo 4 das "Leis da FIDE":
4. Ato de mover as peças
4.1 Cada lance deve ser feito somente com uma das mãos.
4.2 Desde que antes manifeste sua intenção (por exemplo, dizendo eu arrumo "j'adoube" ou "I adjust"), o jogador que tem a vez de jogar pode arrumar uma ou mais peças em suas casas.
4.3 Excetuado o disposto no Artigo 4.2, se o jogador que tem a vez de jogar toca deliberadamente no tabuleiro:
a.       uma ou mais de suas próprias peças, deverá jogar  a primeira peça tocada que possa ser movida, ou
b.      uma ou mais peças de seu adversário, deverá capturar a primeira peça tocada, que possa ser capturada, ou
uma peça de cada cor, deverá capturar a peça do oponente com a sua peça ou, se isso for ilegal,  mover ou capturar a primeira peça tocada que possa ser jogada ou capturada. Se não estiver claro qual peça foi tocada antes,   deve-se considerar que a peça do próprio jogador foi tocada antes da do seu oponente.
4.4 Se o jogador tendo a vez de jogar:
a.       deliberadamente toca no seu rei e torre deverá rocar nesta ala se o movimento for legal.
b.      deliberadamente toca uma  torre e em seguida em seu rei, não lhe sendo permitido rocar nesta ala nesta jogada e a situação deverá ser regulada pelo Artigo 4.3.a
c.       pretendendo rocar, toca o rei ou o rei e uma torre ao mesmo tempo, mas o roque neste lado é ilegal, o jogador deve fazer outro lance legal com seu rei (o que pode incluir o roque para o outro lado). Se o rei não tiver nenhum lance legal, o jogador está liberado para fazer qualquer outra jogada legal.
promove um peão, a escolha da peça somente está finalizada, quando a peça tiver tocado na casa de promoção.
4.5 Se nenhuma das peças tocadas pode ser movida ou capturada, o jogador pode fazer qualquer jogada legal.
4.6 Quando uma peça for solta numa casa, como consequência de um lance legal ou parte de um lance legal, ela não pode ser movida para outra casa neste lance. A jogada é então considerada como efetuada:
a.       no caso de uma captura, quando a peça capturada tiver sido retirada do tabuleiro e o jogador, após colocar a sua própria peça na nova casa, tiver soltado da mão a peça capturada;
b.      no caso de roque, quando o jogador tiver soltado da mão a torre na casa previamente atravessada pelo rei. Quando o jogador tiver soltado da mão o rei, o lance não estaria implementado, mas o jogador não mais tem o direito de fazer qualquer outro lance a não ser rocar naquela ala, se isto for legal;
c. no caso de promoção de peão, quando o peão tiver sido removido do tabuleiro e a mão do jogador tiver soltado a nova peça após colocá-la na casa de promoção. Se o jogador já tiver soltado de sua mão o peão que alcançou a casa de promoção, o movimento ainda não está efetuado, mas o jogador não tem mais o direito de jogar o peão para outra casa.
A jogada é considerada legal quando todos os requisitos relevantes do Artigo 3 tiverem sido cumpridos. Se a jogada não for legal, deve ser efetuado outro lance legal conforme mencionado no Artigo 4.5.
O jogador perde o direito de reclamar contra a violação do Artigo 4 por parte do oponente, a partir do momento em que deliberadamente toque numa peça. ]
Para as perguntas 2.1 e 2.2:
[ Temos que saber qual o tempo de reflexão utilizado na partida. Se for uma partida rápida ou relâmpago, o árbitro só intervem com a solicitação de um dos jogadores. Se for uma partida pensada, o árbitro comunica ao jogador que ele tocou em uma peça com movimento legal e o faz confirmar o lance correto, ou seja, voltando o lance da Dama e fazendo o lance com a Torre. ]
Para a pergunta 2.3:
[ O arbitro deve advertir verbalmente o infrator e cabe um acrescimo de 2 minutos ao tempo adversário. Na reincidencia a seguir, o árbitro pode até decretar a perda do ponto (o que nao significa que o adversario ganhe,somente se tiver material) por desobediencia ao árbitro e as regras. Deve-se avaliar também em que tempo de evento isto ocorre,com o árbitro sendo mais tolerante num campeonato sub 14 ou de iniciantes (desconhecimento maior) e mais rigoroso num evento FIDE ou envolvendo jogadores experientes, onde tais atos nao deveriam acontecer. (contribuição de Marcelo Einhorn) ]
Para a pergunta 3.1:
[ Não.E Mesmo que permita,o árbitro não pode permitir. (contribuição de Marcelo Einhorn) ]
Para a pergunta 3.2:
[ Não e deve advertir o infrator. ]
Para a pergunta 4.1:
[ Trata-se de um dos casos mais complicados da regra,pois é a palavra de um contra o outro, se não houver testemunhas isentas. Os árbitros mais experientes conseguem arrumar uma solução mais satisfatória. O árbitro deve ficar de olho no suposto infrator. (contribuição de Marcelo Einhorn) ]

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