sábado, 29 de maio de 2010

O Árbitro



Caros colegas,
Hoje estou reproduzindo um texto do AI Carlos Oliveira Dias sobre o arbitro de xadrez em geral.
 
O ÁRBITROFORMAÇÃO TÉCNICA, HUMANA E SÓCIO DESPORTIVA
por Carlos Oliveira Dias

O ÁRBITRO
O árbitro de xadrez é um juíz, um regulador. É pois, parte integrante do jogo. Condicionado às regras e leis da modalidade, do bom senso e da ética.
O árbitro de xadrez tem uma particularidade em relação aos árbitros de outras modalidades, que regra geral são ex-praticantes ou ex-dirigentes. No xadrez não existem ex-praticantes. É uma modalidade desportiva que se pode praticar durante toda uma vida. Como tal, e dada a paixão que o jogo desperta em todos os que à modalidade estão ligados, ser árbitro de xadrez é um verdadeiro sacerdócio. Um árbitro de carreira, vai forçosamente ter de abdicar de jogar frequentes vezes. Errada é, todavia, a idéia de que só vai para árbitro quem não tem qualidade escaquística suficiente para triunfar no tabuleiro. Optar por uma carreira na arbitragem, é optar por servir a modalidade numa outra forma. O árbitro é o garante do cumprimento das regras do jogo. Sobre ele assenta a responsabilidade do bom funcionamento e da verdade desportiva de uma competição. Da sua actuação advém também uma vertente pedagógica. Ao ser o garante das regras do jogo, o árbitro assume uma faceta pedagógica, que deve ter particular e redobrada importância quando a sua actuação visa os mais jovens e os escalões de formação.
Dada a exigência de competência que é feita a um árbitro, a sua formação técnica assume especial importância. Nesta formação estão compreendidas as técnicas de arbitragem.
O árbitro deve ter um profundo conhecimento das regras do jogo. Não basta saber o seu conteúdo. É necessário ler nas entrelinhas e entender o que a interpretação das regras deixam pressupor.
No que às técnicas de arbitragem diz respeito, e que variam de árbitro para árbitro o importante é definir um padrão de actuação. A criação por parte do árbitro de técnicas de arbitragem permite evitar problemas no decorrer de uma competição. O árbitro é tanto melhor quão menores os problemas surgidos numa sua actuação.
Um árbitro cauteloso e atento pode evitar situações de risco. Nos aspectos técnicos realce para os seguintes itens:
1 – Antes do Torneio
2 – Antes da Partida
3 – Durante a Partida
4 – Apuros de Tempo
5 – Finish
6 – Semi-rápidas
7 – Rápidas
Numa escalpelização destes pontos, temos que:
1 – Antes do torneio, o árbitro deve "estudar" o regulamento do mesmo.
  • Ritmo de jogo
  • Sistema do torneio
  • Critérios de desempate
  • Critérios de distribuição de prémios
  • Horário e calendário
A análise da sala é também de importância capital
A iluminação e luminosidade; O ruído; a relação espaço-conforto; as condições jogadores público; local para análises; estruturas de apoio (WC/Bar/Sala de fumo);
A análise do material é também muito importante. Aqui há a realçar a triologia relógios/jogos/ impressos.
Relógios:
  • Se funcionam correctamente
  • Se caiem as setas à hora
Alerta para o facto de nos relógios convencionais, o dar a corda toda e prender a mesma, está na origem de 80% das avarias.
Jogos:
Aspectos a verificar:
  • Tamanho
  • Brilho
  • Relação peça/tabuleiro
  • Uniformidade das peças
2 – Antes da partida
  • Verificar a correcta colocação das peças
  • Verificar relógios – acerto e corda
  • Verificar se há registos de partida
  • Verificação colocação correcta de nomes e bandeiras
Dar inicio à sessão por gong, voz (grandes torneios) ou pondo os relógios em marcha (pequenos torneios). Accionar os relógios das brancas que ainda o não foram, caso que acontece mais frequentemente, quando os dois jogadores não estão presentes).
3 – Durante a partida
  • Controlar as condições de jogo
  • Observar silêncio da sala
  • Evitar conversas e saídas "reprimindo" os abusos.
  • Controlar periodicamente os relógios (hora a hora),
  • Controlar os registos de partida.
4 - Apuros de tempo
Cabe ao árbitro atento detectar quais as partidas de risco. O árbitro pode assim fazer, atempadamente, a distribuição dos apuros baseando-se no critério importância /agudeza.
O circular pela sala calmamente sem distrair ou incomodar os jogadores, permite ao árbitro ter uma percepção de onde vão surgir os apuros de tempo. Pode, assim, evitar o factor surpresa e pode também "canalizar" atempadamente os seus colegas para os diversos apuros.
Os apuros de tempo são a prova de fogo de um árbitro. São por assim dizer o clímax da partida. Por isso mesmo, requerem da sua parte uma postura cuidada. É conveniente uma aproximação calma e serena.
A brusquidão ao chegar a um apuro de tempo só serve para desconcentrar os jogadores. O tomar as notas durante os apuros de tempo é também importante. O árbitro deve conseguir anotar os lances dos jogadores. Todavia, o mais importante é assinalar a queda da seta. Como tal, aconselho o árbitro a ter um olhar periférico. Isto é, assim que tem a percepção de que a queda da seta está eminente, o árbitro deve fixar o olhar no relógio mantendo todavia uma olhadela no tabuleiro. Se não conseguir anotar os lances completos, deve pelo menos anotar a peça que foi jogada. Torna-se assim mais fácil a reconstituição da partida. Em caso de necessidade de reconstituição de uma partida deve o árbitro certificar-se de que a mesma foi correctamente feita e só deve abandonar o local após os dois jogadores terem completado o seu registo de partida. Nunca um árbitro deve virar as costas sem que tudo esteja regulamentarmente feito. Nem mesmo o fair-play dos jogadores deve fazê-lo relaxar.
5 – Finish
No Finish pode o árbitro adoptar a seguinte linha de actuação:
1º Critério:
  • Marcar as partidas críticas
2º Critério:
  • Acompanhar as partidas em que pode haver reclamação de empate.
Não aceitar reclamações com seta caída e não aceitar pedidos de empate em situações pouco claras.
6 – Semi-rápidas
O árbitro deve, neste ritmo, ter uma acção mais contida.
7 – Rápidas
Passividade. Só intervir se for solicitado.
Como se disse as técnicas variam de árbitro para árbitro. Uma deve todavia, nortear a sua acção:
A confiança. Assente na consciência do seu valor e da sua capacidade de resolver os problemas. E também na sua constante vontade de evoluir. O colocar a fasquia cada vez mais alta, leva-nos a progredir e aperfeiçoar os nossos métodos.
A um juíz de xadrez é exigido também um bom alicerce na sua conduta humana. Alheado das tendências unilaterais dos outros agentes da modalidade (jogadores/dirigent es/ público), o árbitro deve "impôr" a sua personalidade, isenção e carácter. Da conjugação das formações técnica e humana de um árbitro, nasce uma postura de justiça de isenção e transparência que permite ao árbitro uma credibilidade junto dos outros agentes da modalidade.
A personalidade vincada, a postura, o profundo conhecimento das regras e a imparcialidade são factores preponderantes no ajuizar da credibilidade de um árbitro por parte dos intervenientes numa competição.
A apresentação e aparência de um árbitro são alvo de uma observação que produz, à partida, a boa ou má imagem do mesmo.
Já no decorrer de uma competição são vários os factores que determinam o valor e a credibilidade do árbitro junto dos outros intervenientes, e o êxito da sua actuação.
  • Calma e confiança
O árbitro deve transmitir a ideia aos jogadores que sabe que está a fazer.
Que tem plena convicção das regras que está a aplicar. Deve contudo fazê-lo de uma forma calma e sem precipitações.
  • Isenção e verticalidade
São condições exigidas a um árbitro.
Um árbitro é um juiz que advoga e aplica leis e regras. Como tal deve ser uma figura cuja conduta não mereça qualquer reparo.
  • Passar despercebido
Não deve o árbitro ser arrogante e exibicionista. Afinal ele não é a primeira figura da competição.
A actuação de um árbitro é tanto melhor quanto menos se der por ele.
  • Ausência de carácter punitivo
O árbitro deve evitar condenar um jogador. Pode ser possível, derivado a um incidente anterior entre um árbitro e um jogador, que o juíz "marque" o referido xadrezista.
Regra geral, dá origem a erros provocados pela ânsia de punir.
Analisados os aspectos da formação técnica e humana do árbitro, cabe ainda uma nota, no sentido de conceder ao juíz um papel na tarefa pedagógica que deve ser levada a cabo por todos os agentes da modalidade.
O árbitro deve ser visto como um parceiro e não como um carrasco que determina, pela sua actuação, o mau desempenho dos jogadores ainda que, aqui ou ali, erre. Errar é humano e um árbitro não é um Extra-Terrestre.
Carlos Oliveira Dias (A.I. F.I.D.E.)

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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Xadrez melhora desempenho de alunos de Sorocaba em matemática

Caros colegas,
Vejam que coisa maravilhosa captei no blog: http://educacaolivreparapensar.blogspot.com/
Além de melhorar o desempenho na disciplina, alunos passaram a se destacar em competições na modalidade
Em 2007, o professor de matemática Sandro Sanches Corralero, da Escola Estadual Brigadeiro Tobias, em Sorocaba, resolveu utilizar o xadrez em sala de aula para despertar nos alunos um maior interesse no aprendizado da disciplina. O objetivo era mostrar aos estudantes que o estudo da matemática também poderia ser divertido e desafiador como o jogo. "A intenção era quebrar aquele estigma de que aula de matemática é chata e também motivá-los a praticar o jogo, que é um excelente exercício de raciocínio", diz Corralero, comentando que no início do projeto, a grande maioria dos alunos, provenientes da periferia de Sorocaba, não conhecia o xadrez.
Assim, o professor passou a dedicar uma aula de sua grade semanal para ensinar noções básicas do jogo a alunos do Ciclo II do Ensino Fundamental. Com o tempo, os estudantes criaram gosto pelo xadrez e quiserem se aprofundar. Como incentivo, a escola adquiriu material para a prática (tabuleiro, peças e relógio), além de livros sobre a modalidade para consulta, e criou um grupo de treinamento dentro da programação de Atividades Curriculares Desportivas (ACD) da unidade. As ACDs são oferecidas gratuitamente pelas escolas da rede estadual, coordenadas por professores de educação física, e acontecem em horários alternados às aulas regulares para aprofundamento nas modalidades esportivas escolhidas pelos alunos.
O incentivo rendeu frutos, não só no que diz respeito à prática do jogo, mas também em relação ao desempenho dos alunos em sala de aula. "Dentre os que aprenderam xadrez, houve uma melhora de 30 a 40% em matemática", salientou o professor, que atua na rede estadual desde 1994 e leciona na mesma escola há cerca de 10 anos.
José Nelson dos Santos Júnior, de 14 anos, aluno do 9º ano do Ensino Fundamental, está entre os estudantes que apresentou significativa melhora em matemática. "O xadrez me ajudou a raciocinar melhor, ter paciência e concentração para resolver os problemas", comenta o aluno.
A escola também passou a ser destaque em competições na modalidade. Recentemente, a aluna Wiviany Maria Monteiro Cruz, de 13 anos, também do 9º ano, conquistou o título de campeã na categoria sub-14 da primeira etapa do Circuito de Xadrez Escolar Estadual 2010, organizado pela Federação Paulista de Xadrez (FPX). "Aprendi a jogar xadrez aqui na escola, mas não esperava imaginava poder disputar um campeonato. Mas foi muito bom, principalmente para meu desenvolvimento pessoal, pois estimula a inteligência e ajuda no aprendizado", conta a estudante.
Além de Wiviany, outros sete alunos da Brigadeiro Tobias participaram da competição, sendo que três também conquistaram medalhas. Atualmente, mais de 200 estudantes do 8º e 9 º anos do Ensino Fundamental e 1º ano do Ensino Médio praticam a modalidade na escola nas aulas de matemática e nas ACDs.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Miniatura e teste

Caros colegas,
Vamos estudar uma partida miniatura de xadrez?
Ela começa com os seguintes lances:
1.e4,c6 (Defesa Caro-Kann)
2.d4,d5 ; 3.Nc3,dxe4 ; 4.Nxe4,Nd7 ; 5.Qe2,g6
Posição atual
FEN : r1bqkbnr/pp1npp1p/2p3p1/8/3PN3/8/PPP1QPPP/R1B1KBNR w
Jogam as brancas.
Após o péssimo lance número 5 das pretas, as brancas têm a chance de encerrar a partida.
Como elas podem fazer isso?
Teste
Um testezinho para vocês:
FEN : 6k1/ppq3bp/2p3p1/3pr3/8/2P1B2P/PPQR1PP1/6K1 w
Jogam as brancas.
Percebendo que as pretas deixaram alinhadas na mesma diagonal a Torre (e5) e a Dama (c7), as brancas, neste momento, resolveram jogar 1.Bf4 cravando a Torre preta.
Na sua opinião essa foi uma boa jogada das brancas?
Por que?
Soluções:
[ Para o primeiro diagrama: 6.Nd6++    para o segundo diagrama: o lance 1.Bf4 é péssimo para as brancas, pois as pretas podem continuar com 1._____,Re1+ ; 2.Kh2,Qxf4+ ]

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Mate em 1

Nas posições mostradas pelos diagramas abaixo, há mate em um lance.
Vamos mostrá-los?
Diagrama 1
FEN : 4r1k1/pp3ppp/3P1n2/8/8/2QB1bP1/PPPK1P1q/R4R2 b
As pretas jogam e dão mate em um lance.
Diagrama 2
FEN : r1b1k1nr/pppp1pp1/5q2/3P4/4P1Kp/5B1P/PPP3P1/RNBQ3R b
As pretas jogam e dão mate em um lance.
Soluções:
[ Diagrama 1: 1._____,Qh6++ ;  Diagrama 2: 1._____,d6++ ]

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Peça sobrecarregada

O conceito de "peça sobrecarregada" se refere àquela peça que se está exigindo demais dela, ou seja, ela recebe carga dupla de trabalho.
Normalmente são posições em que uma determinada peça defende duas outras peças ao mesmo tempo ou então em que ela defende uma peça e protege uma casa vital para a defesa de seu Rei.
De qualquer forma, quando o adversário percebe esse fato, procura logo afastar a ação da peça sobrecarrega de uma de suas funções para, então, atacar a outra função que ficou desguarnecida.
Não tendo outra saída, o jogador que sobrecarregou a peça deverá escolher uma das opções para continuar a ação e "abandonar" a outra, que será aproveitada pelo inimigo.
Vejamos alguns exemplos:
Diagrama 1
FEN : 6k1/2r2pbp/1p3qp1/p7/2P4P/5BP1/PP2QPK1/3R4 b
Jogam as pretas.
O jogador de pretas viu que o Peão branco de b2 está desprotegido e resolveu capturá-lo com 1._____,Qxb2.
Nem ficou preocupado com a Dama branca em e2 pois achou que seu Bispo em g7 dava cobertura suficiente para a Dama preta.
Só se esqueceu que, assim agindo, sobrecarregou o pobre Bispo de g7 que, além de proteger a Dama preta, tem também a função de cobrir um ataque da Torre branca através de d8.
Aí a partida continuou desta forma:
1._____,Qxb2 ; 2.Rd8+,Bf8 ; 3.Qxb2
E lá se foi a Dama preta pro espaço!
Diagrama 2
FEN : 5rk1/5p1p/6p1/3q4/7P/3QR1P1/5P2/6K1 b
Jogam as pretas.
Nesta posição, as brancas acabaram de jogar Qd3 propondo uma troca de Damas.
Mas as pretas não aceitam e jogam:
1._____,Rd8  sobrecarregando sua Torre.
Vejam as possíveis continuações:
2.Re8+,Rxe8 ; 3.Qxd5 ou
2.Re8+,Kg7 ; 3.Rxd8,Qxd8 ; 4.Qxd8 ou
2.Re8+,Kg7 ; 3.Rxd8,Qxd3 ; 4.Rxd3
De qualquer forma, a sobrecarga na Torre preta custou muito caro para seu jogador!
Diagrama 3
FEN : 2r1r1k1/1p1q1ppp/3p1b2/p2P4/3Q4/5N2/PP2RPPP/4R1K1 w
Jogam as brancas.
Vejam como esta partida continuou:
1.Qg4,Qb5 ; 2.Qc4,Qd7 ; 3.Qc7,Qb5 ; 4.a4,Qxa4 ; 5.Re4,Qb5 ; 6.Qxb7 e as pretas abandonam.
Esta partida merece um estudo aprofundado de todos nós, pois apresenta várias armadilhas embutidas nos oferecimentos "grátis" de peça. Tudo sempre baseado na sobrecarga que a Torre branca de e8 passou a receber.
Coisa linda de se ver, não é verdade?
Ou você não gostou, cara pálida? 

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Regras 5 e 6 do centro

Regra 5: Se os Peões centrais forem trocados, então se abrirão colunas por onde se tornará mais fácil colocar as Torres em jogo.
Exemplo:
FEN : rnbqkbnr/ppp2ppp/8/3p4/3P4/8/PPP2PPP/RNBQKBNR w
Jogam as brancas.
Posição depois de jogados os seguintes lances:
1.e4,e6 ; 2.d4,d5 ; 3.exd5,exd5
Não é preciso ser um Grande Mestre no xadrez para ver que a coluna e aberta é um excelente local para se colocar uma Torre (toda coluna aberta deve, a medida do possível, ser ocupada por uma Torre).
Regra 6: Se o centro ficar bloqueado, então o jogo se transfere para as alas.
Exemplo:
FEN : rnbqkb1r/pp3ppp/3p1n2/2pPp3/2P1P3/2N5/PP3PPP/R1BQKBNR b
Jogam as pretas.
Posição depois de jogados os seguintes lances:
1.d4,Nf6 ; 2.c4,c5 ; 3.d5,e5 ; 4.Nc3,d6 ; 5.e4
Aqui também está fácil de se ver que o centro está totalmente bloqueado e a única forma de se jogar é transferir os movimentos das peças para os flancos. 

Regra 4 do centro


Regra 4: Se o seu adversário conseguiu montar um forte centro de Peões, você tem de se esforçar para destruí-lo!
Isso costuma criar uma verdadeira batalha de filosofias: seu adversário está dizendo que o centro é dele e é forte, enquanto que você está dizendo que o centro dele é apenas um alvo a ser atingido por suas baterias.
Uma das aberturas mais comuns em que um dos lados monta um forte centro e o outro lado se preocupa em atacá-lo, aparece na Defesa Alekhine:
1.e4,Nf6
Convidando o Peão e4 a avançar.
2.e5,Nd5 ; 3.d4,d6
As pretas começam a se preparar para atacar o centro.
4.c4,Nb6 ; 5.f4,dxe5 ; 6.fxe5,Nc6
FEN : r1bqkb1r/ppp1pppp/1nn5/4P3/2PP4/8/PP4PP/RNBQKBNR w
As brancas ocupam todo o espaço central, enquanto que as pretas atacam os Peões c4, d4 e e5.
7.Be3,Bf5
Se as brancas jogassem 7.Nf3 teriam permitido às pretas intensificar a pressão com 7.___,Bg4
Agora as pretas poderão colocar seu Peão em e6 sem bloquear a diagonal do seu Bispo de casas claras.
8.Nc3,e6 ; 9.Nf3,Be7 ; 10.Be2,O-O ; 11.O-O,f6
FEN : r2q1rk1/ppp1b1pp/1nn1pp2/4Pb2/2PP4/2N1BN2/PP2B1PP/R2Q1RK1 w
As pretas pressionam o Peão e5 e forçam as brancas a trocá-lo.
12.exf6,Bxf6 ; 13.Qd2,Qe7
 
FEN : r4rk1/ppp1q1pp/1nn1pb2/5b2/2PP4/2N1BN2/PP1QB1PP/R4RK1 w
Todas as ações estão voltadas para o Peão d4. 
As brancas dizem que ele está forte e preparam mais um reforço para sua defesa com Rad1.
As pretas contestam e abrem caminho para Rad8.
14.Rad1,Rad8
FEN : 3r1rk1/ppp1q1pp/1nn1pb2/5b2/2PP4/2N1BN2/PP1QB1PP/3R1RK1 w
O que devemos aprender com a lição?
1. O desenvolvimento inicial de nossas peças (sem bloqueios e atropelos) é fundamental na partida;
2. A importância de se conseguir montar um forte centro de Peões;
3. Quando estivermos do outro lado, deveremos fazer de tudo para destruir esse centro forte de nosso adversário.

Regras do centro - 1

Das três áreas que formam o tabuleiro – ala do Rei, centro e ala da Dama – o centro é, sem dúvida, a mais importante delas.

A razão disso é que, o jogador que domina essa área, pode deslocar suas peças para ambos os lados, com o mínimo esforço e a máxima velocidade.
Desta forma, geralmente é uma excelente idéia jogar tentando conquistar e manter o centro, se você puder assim fazer.
Infelizmente, a maioria dos iniciantes não tem essa visão. Eles estão sempre se movimentando de uma ala a outra do tabuleiro.
A seguir são mostradas algumas regras básicas sobre o centro, que podem ser benéficas aos iniciantes:

Regra 1: Um Peão bem posicionado no centro proporciona o controle sobre as principais casas centrais do tabuleiro. Vejamos o diagrama:

  

Os Peões colocados no centro estão bem protegidos pelos outros Peões e também pelas demais peças brancas. Essa estrutura proporciona um forte controle sobre as casas c5,d5, e5 e f5, o que garante ao jogador de brancas a vantagem sobre a região.

Regra 2: Possuir um Peão bem posicionado no centro é uma responsabilidade!
Depois de criá-lo, você tem de se esforçar para torná-lo indestrutível. Se conseguir isso, dominará o centro e irá restringir os movimentos do adversário por todo o restante do jogo!
Regra 3: Não adiante o centro demasiadamente cedo!
Cada Peão movido deixa casas fracas na sua esteira. O diagrama abaixo explica isso:

 


Avançando mais uma casa o Peão e, deixará fracas as casas d5 e f5.
Observe na posição acima como o Cavalo preto não consegue avançar para a quinta linha do tabuleiro devido à influência do forte centro de Peões brancos.
Mesmo depois de  se mover para c6 ou g6, o Cavalo continuaria incapaz de encontrar um posto avançado central para ele.
No entanto, bastaria às brancas avançarem seu Peão e para e5 que as casas d5 e f5 ficariam,subitamente, à disposição do Cavalo.

Ataques descobertos - primeira parte

Vocês sabem o que é um "ataque descoberto"?
Em essência, o ataque descoberto é uma emboscada.
Eis uma definição genérica:
"Uma Dama, uma Torre ou um Bispo, ficam de tocaia com o objetivo de atacar quando uma outra peça ou Peão do seu próprio exército sair do seu caminho."
Vejamos alguns exemplos:
Diagrama 1
FEN : 2r3k1/p1p3bp/1p2q1p1/5p2/8/P1P4P/1P2BPP1/3QR1K1
O diagrama 1 mostra um exemplo simples, porém claro, de ataque descoberto.
Se as brancas moverem o Bispo, será criado um ataque descoberto da Torre (em e1) à Dama preta.
No entanto, lances como 1.Bd3 ou 1.Bf3 não são adequados, pois as pretas podem afastar a Dama para d6 ou f6, onde ela ficará em segurança.
É aí que entra o ataque duplo.
Jogando 1.Ba6! as brancas criam um ataque descoberto à Dama preta e também atacam a Torre preta em c8, ameaçando duas peças com um único lance.
Depois de compreender o princípio nesse exemplo, será instrutivo mudar um pouco a posição, para ver como isso afeta o resultado. No diagrama 1, como a mudança do peão b6 das pretas para b7 afetaria a situação?
Diagrama 1-A
FEN : 2r3k1/ppp3bp/4q1p1/5p2/8/P1P4P/1P2BPP1/3QR1K1
E se a Torre preta estivesse em a8 e não em c8?
Diagrama 1-B
FEN : r5k1/p1p3bp/1p2q1p1/5p2/8/P1P4P/1P2BPP1/3QR1K1
Sugestões?

Ataques descobertos - segunda parte

No diagrama 2 mostrado abaixo, as pretas tem dois Cavalos contra uma Torre e um Peão das brancas e parecem estar em boa situação.
FEN : 3n4/6k1/8/8/8/3K1n2/P7/3R4
Infelizmente os dois Cavalos não tem defesa. As brancas criam um ataque descoberto com 1.Ke3!
De repente o Cavalo em d8 das pretas é atacado pela Torre branca e o Cavalo preto de f3 é ameaçado pelo Rei branco.
As pretas, desta forma, são forçadas a abrir mão de um de seus Cavalos.
No diagrama 3 mostrado em seguida, as brancas tem a chance de iniciar um ataque descoberto à Dama preta, tirando o Bispo do caminho da Torre.
FEN : r2q2k1/pp2bpp1/2p4p/8/2P5/1P5P/P2BQPP1/3R2K1
Lances tranquilos, tais como 1.Be3 ou 1.Bc3 não tiram proveito da situação, pois as pretas moveriam com calma sua Dama para um local seguro com 1.____,Qe8 ou 1.____,Qf8.
No entanto, ao jogar o surpreendente 1.Bg5! (1.Bg4! alcança o mesmo efeito), as brancas podem atacar tanto a Dama quanto o Bispo preto de e7.
Normalmente esse tipo de lance é impossível, porque o Bispo fica pendurado, tanto pelo Peão h6, quanto pelo Bispo de e7. Mas, nesse caso, o ataque descoberto da Torre à Dama preta transforma o Bispo num lanche menos apetitoso.
Depois de 1.Bg5! as pretas tem de fazer uma escolha difícil: podem mover a Dama para um lugar seguro, com 1.____,Qe8 mas o ponto central de 1.Bg5! seria óbvio, ou seja, as brancas atacariam o Bispo e7 tanto com a Dama quanto com o Bispo, enquanto as pretas defenderiam seu Bispo apenas uma vez com a Dama.
Em seguida, com o simples 2.Bxe7 as brancas pegariam uma peça grátis.
Embora a maioria dos jogadores deteste se desfazer de suas Damas, um lance muito melhor para as pretas é o 1.____,Bxg5! ; 2.Rxd8+,Rxd8
É verdade que as pretas perdem a Dama, mas em compensação ganham uma Torre e um Bispo, ficando atrás apenas 1 ponto de material e ainda podem endurecer a luta.
Nessa posição há outra possibilidade. Em lugar do forte 1.Bg5! as brancas podem considerar também o 1.Bxh6!
Esse lance ganha um Peão, pois o Bispo está invulnerável por causa do ataque descoberto à Dama preta.
Essa alternativa é um exemplo de ataque descoberto puro e esse não é um ataque duplo, porque somente uma peça preta (a Dama) está ameaçada.

Ataques descobertos - terceira parte

A posição mostrada pelo diagrama 4 abaixo, é idêntica à do diagrama 3 já mostrado anteriormente.
As duas únicas diferenças são: a Dama das brancas está em f3 e não em e2 e a Torre das pretas está em b8 e não em a8.
Diagrama 4:
FEN : 1r1q2k1/pp2bpp1/2p4p/8/2P5/1P3Q1P/P2B1PP1/3R2K1
Jogam as brancas.
Será que 1.Bg5 ou 1.Bb4 ainda são bons lances?
Não.
Agora as pretas se encontram em condições de evitar danos maiores, jogando  1.____,Qf8 pois se 2.Bxe7,Qxe7 leva somente a uma troca igual de peças.
A grande diferença entre esse diagrama e o anterior é resultado da posição da Dama branca em e2.
Previamente ela se juntou ao ataque contra o Bispo e7.
Uma vez que 1.Bg5 agora não produz nenhuma vantagem, as brancas ficarão em melhor situação se jogarem 1.Bxh6, que ganha um Peão, ou o mais forte 1,Bf4! que cria um ataque descoberto à Dama e um ataque adicional à Torre preta situada em b8.
Depois de 1.Bf4!,Qf8 ; 2.Bxb8,Qxb8 as brancas conseguem ganhar a qualidade - uma Torre por um Bispo - e ficam com uma vantagem de 2 pontos.

O XADREZ E A HISTÓRIA RECENTE...

Do blog: viriatovitchchess.blogspot.com


O XADREZ E A HISTÓRIA RECENTE...




A ascensão e queda do xadrez no século XX estiveram vinculadas à chamada Guerra Fria e ao investimento da URSS no jogo.
Sem a atmosfera ameaçadora daquela era, foi dissipada grande parte do capital em volta do xadrez num período que durou mais que uma década.


O xadrez sempre foi um simulacro dos confrontos políticos e militares, de generais e diplomatas, com todas as suas jogadas da abertura ao xeque-mate.

O jogo foi internacionalmente popular por mais de dois séculos, mas, assim como o gênero literário do romance policial, ele também travava a sua própria batalha na Guerra Fria.

Vamos a um entre vários exemplos:
A cena inicial de um dos primeiros filmes de James Bond, "From Russia With Love" de 1963, é uma partida de xadrez entre dois mestres.
E na vida real, foi a partida entre Fischer e Spassky, em 1972 - quando um gênio norte-americano excêntrico esmagou 25 anos de hegemonia soviética no xadrez e que marcou o início do fim da Guerra Fria.


O xadrez funcionou como uma mega-metáfora para essa guerra psicológica, cujo significado amplio deriva do importante papel do jogo na sociedade comunista soviética.
Os russos podem ter ficado para trás em termos de tecnologia militar ou competição econômica, mas nos tabuleiros de xadrez eles tinham a supremacia.
Um campo de batalha que pela primeira vez na história se tornou genuinamente global poderia ser metaforicamente traduzido nos 64 quadrados do tabuleiro.


O xadrez proporcionou uma das válvulas de escape mais seguras e que manteve a tampa sobre a Guerra Fria.
Mas afinal, como veio o xadrez desempenhar esse papel, ao mesmo tempo de símbolo da guerra e de sua antítese ?
E como é que o xadrez iluminou o processo pelo qual o Ocidente triunfou sobre o comunismo?


O lugar do xadrez na cultura européia reflete de perto a ascensão e a queda da elite culta, para a qual o jogo era a modalidade preferida de recriação.
A história começa com uma imagem que registra um dos grandes encontros da modernidade: o retrato de um grupo, pintado em 1856 por Moritz Daneil Oppenheim, que mostra três grandes figuras do pensamento do século XVIII - o dramaturgo Gotthold Ephraim Lessing, o místico suíço Johann Caspar Lavater e o filósofo judeu Moses Mendelssohn. O foco da pintura, em torno do qual há ornamentos do Iluminismo, é um tabuleiro de xadrez.


Lessing e Mendelssohn se conheceram em 1754, após um amigo mútuo recomendar este último ao já célebre Lessing, como parceiro de xadrez.
Foi um encontro providencial de dois homens notáveis, mas também de duas culturas. Em "Nathan the Wise" ("Nathan, o Sábio"), um livro que foi o trabalho mais popular do autor, Lessing, o cristão, descreveu um Mendelssohn idealizado como Nathan: inteligente, esclarecido e judeu.


O progresso do xadrez, passando pelo estágio de "hobby" e atingindo a maturidade artística e científica, foi acelerada pela assimilação judaica, que transformou a Bildungsbürgertum, a classe média culta da Mitteleuropa que falava alemão, em agentes de reforma modernista.
A simbiose judaico-alemã - apesar de manchada pelo anti-semitismo - proporcionou o contexto cultural no qual o xadrez poderia se transformar no entretenimento intelectual preferido.
E de meados do século XIX em diante, uma proporção extraordinariamente alta de mestres de xadrez, incluindo a maior parte dos grandes campeões mundiais, era composta por judeus.


O xadrez é um caso especial de um fenômeno mais genérico - o QI acima da média dos "judeus ashkenazic de origem européia" - que gera muitas questões e ainda desafia as explicações simples.
Não sabemos se os judeus possuem uma tendência inerente para brilharem no xadrez, ou se sentem atraídos pelo tabuleiro porque este jogo intelectualmente desafiador, competitivo e sedentário se encaixa no estereótipo prevalecente do judeu da Europa do século 19.
O que sabemos é que aquilo que Gerald Abrahams identificou como a "mente do xadrez" - uma combinação de memória, lógica e imaginação - tem muito em comum com as habilidades que eram e são características da vida intelectual judaica.
Acima de tudo, o estudo de textos sagrados remete a um jogo sobre o qual mais livros foram escritos do que sobre todos os outros jogos tomados em conjunto.
O jogo do livro parece ter exercido uma atracção muito especial sobre estas pessoas.


No Nathan, de Lessing, o xadrez é descrito como uma paixão particular de Saladino, o esclarecido sultão muçulmano, que levou um xeque-mate da sua irmã Sittah.
Para os intelectuais cosmopolitas de Lessing, o xadrez era uma forma de superar o preconceito - religioso, racial, nacional e sexual.
Por excluir o factor sorte ( que a há objectivamente !) e portanto desencorajar apostas, o xadrez era o único jogo digno de um cavalheiro (Até 1987, era o único jogo permitido no Palácio de Westminster).


Mas o estatuto do xadrez no Iluminismo foi ambíguo.
O jogo fascinou vários dos expoentes do movimento, do filósofo e matemático Gottfried Wilhelm Leibniz.
(Que antecipou o computador de xadrez)
ao enciclopedista Denis Diderot.
O xadrez, que era um passatempo nobre desde a sua primeira vaga de popularidade dez séculos atrás, na corte do califa Haroun al-Rashid, em Bagdá, ainda era visto de forma geral como uma diversão frívola de uma classe voltada para o lazer, e não como uma actividade séria.
Ao final da era vitoriana, o livro "Through the Looking Glass" ("Através do Espelho") de Lewis Carrol ainda tratava o xadrez como entretenimento infantil.


No decorrer dos séculos 19 e 20, o xadrez emergiu como actividade popular competitiva, com torneios internacionais que geravam amplo interesse popular - o primeiro deles em Londres, em 1951.
Os balneários e "Spas" da burguesia européia tratavam o xadrez como atracção turística, e forneciam os meios financeiros para que dezenas de mestres ganhassem a vida com o jogo.
Alguns, poucos, alcançaram proeminência em outras profissões: Adolf Anderssen era professor, Ignác Kolisch banqueiro, Siegbert Tarrasch médico, Amos Burn comerciante, Milan Vidmar engenheiro, e Ossip Bernstein advogado. Outros valorizavam mais o seu desempenho acadêmico (Howard Staunton e Emanuel Lasker) ou status social (Paul Morphy e José Raúl Capablanca) do que o talento como xadrezistas.
No entanto, por volta de 1900, o xadrez de alto nível não era mais um jogo de amadores, e os profissionais não precisavam mais passar pela indignidade de jogar com quem quer que os desafiasse.
Em vez disso, o xadrez passou a aspirar ao estatuto de uma forma artística e de uma ciência.
Os anos anteriores a 1914 foram os de uma era dourada do xadrez, sobretudo na Europa Central.


Os termos "mestre" e "grande-mestre" deram ao xadrez uma certa mística, como se os iniciados no jogo formassem uma espécie de maçonaria.
Mas o uso desses títulos não é muito antigo, remontando, no máximo, ao início do século XIX:
a primeira menção registrada ao termo "grande-mestre" na Inglaterra é de 1838. Inicialmente, "mestre" significava um jogador experiente, profissional ou não, enquanto que "grande-mestre" ficou reservado a um punhado de mestres de estatura internacional.
Em 1914, o czar Nicolau II, concedeu o título de grande-mestre a cinco finalistas do torneio de São Petersburgo - Lasker, Capablanca, Alexander Alekhine, Tarrasch e Frank Marshall.
O título só foi formalizado pela Federação Mundial de Xadrez - Fide, em 1950 quando criou uma hierarquia de títulos, culminando com o de "grande-mestre internacional", que seria conquistado por um jogador que apresentasse consistentemente bons resultados em competições de grandes mestres.
O resultado foi uma gradual banalização do título, e actualmente há várias centenas de "Gm`s".
A lacuna entre a vasta maioria e o campeão mundial ampliou-se a um tal ponto que Garry Kasparov era capaz de disputar partidas simultâneas contra algumas das equipes nacionais mais fortes, como a de Israel e da Alemanha, vencendo-as sem perder sequer um jogo !


O primeiro Grande-mestre a ser reconhecido como supremo, o compositor François-Andre Danican Philidor, deve muito da sua fama no xadrez ao exílio. Prescrito pelo directório revolucionário francês como membro da corte, ele foi obrigado a emigrar para Londres, onde ganhou a vida como jogador de xadrez.
A façanha de Philidor de jogar xadrez de olhos vendados contra vários oponentes simultaneamente fez dele uma breve celebridade.
Acabou morrendo como imigrante pobre.


Os anos revolucionários de 1789, 1848 e 1917 fizeram com que vários outros jogadores de xadrez partissem para o exílio.
Após a fracassada revolução de 1848, uma outra figura que seguiu para Londres foi Karl Marx.
Marx adorava xadrez e, para desespero da sua mulher Jenny, desaparecia com os seus colegas imigrantes por dias seguidos para participar em torneios do jogo !
Apesar de dedicar grande parte do seu tempo ao xadrez, ele nunca conseguiu ir além da mediocridade.
Jean-Jacques Rousseau, também foi um xadrezista boémio, assim como seriam, mais tarde, Lenine e, especialmente, Trotsky (a notícia do triunfo de Trotsky na Revolução Bolchevique foi saudada pelo chefe dos garçons do Café Central em Viena com as palavras: "Ah, esse deve ser o nosso Herr Bronstein da sala de xadrez !").


Lenin, playing chess
Quando em 1917 os comissários da utopia abandonaram os cafés e se apossaram do Kremlin, trouxeram consigo o xadrez.
Em meados da década de 20, a nova União Soviética decidiu adoptar o jogo como uma forma de treino mental, uma preparação para a guerra e a paz.
O xadrez era visto como uma demonstração do materialismo dialético, da ausência do factor sorte, o que o tornava apropriado ao gosto austero da liderança do partido.
O xadrez foi classificado como um jogo que transcendia as classes sociais, não inconspurcado pela ideologia burguesa, e, portanto, apropriado para as novas organizações proletárias.
E assim teve início a experiência sem precedentes da incorporação do xadrez à cultura oficial da revolução comunista.


Enquanto isso, no Ocidente os anos 20 testemunhavam o apogeu da arte modernista, que no xadrez teve o seu equivalente na escola hipermoderna, uma reação romântica ao classicismo da geração mais antiga.
Assim como os artistas se voltaram para a abstração, ou os compositores abandonaram a tonalidade, no xadrez os jovens mestres fizeram experiências com movimentos que antigamente eram tidos como "feios", mas que incorporaram novas idéias estratégicas.
O iconoclatismo na arte e no xadrez aglutinou-se na pessoa de Marcel Duchamp, que jogava suficientemente bem para representar a França ao lado do campeão mundial, o genial imigrante russo Alexander Alekhine.


Marcel Duchamp, 1950
No entanto, em 1929 a bolha especulativa de prosperidade europeia estourou, causando generalizados danos colaterais, não só nas artes e nas ciências, mas também no xadrez.
O caso de Emanuel Lasker, que foi campeão mundial durante uma geração, de 1894 a 1921, ilustra o impacto da catástrofe européia sobre aquela que foi uma das personalidades mais impressionantes na História do xadrez.
Lasker, filho de um pobre cantor judeu nascido na fronteira entre a Alemanha e a Polónia, era um matemático suficientemente bom para trabalhar com Albert Einstein, além de poeta, inventor e filósofo com obras publicadas.
Os seus trabalhos sobre a teoria dos jogos, e acima de tudo o seu "Manual de Xadrez", ainda hoje são clássicos de leitura quase obrigatória.
Lasker, conquistou a independência financeira por meio do jornalismo e das palestras, enquanto o seu prestígio possibilitou que obrigasse os organizadores a proporcionar remuneração adequada e condições de jogos para o xadrez internacional.


Quando os nazis chegaram ao poder, Lasker
(Nessa altura com mais de 60 anos e afastado do xadrez de competição) imediatamente atraiu uma atenção hostíl.
Os seus trabalhos filosóficos tornaram-no amigo de Walter Rathenau, o ministro das Relações Exteriores assassinado por anti-semitas;
a sua cunhada era a poetisa judia Else Lasker-Schüler, e a sua mulher, Martha, escrevia jornais satíricos banidos pelo Terceiro Reich.
A casa de campo, o apartamento em Berlim e a poupança dos Lasker foram confiscados.
Assim como milhares de outros judeus alemães, eles passaram a viver uma existência nomada no exílio.
Se estabelecendo primeiro na Inglaterra, Lasker foi obrigado a retornar ao xadrez, e em grandes torneios como Zurique, Moscovo e Nottingham, ele não perdeu com os maiores mestres das gerações mais jovens.
O campeão mundial, Alekhine, declarou: "A idéia de xadrez como arte seria inconcebível sem Emanuel Lasker".


Após o torneio de Moscovo de 1935, Lasker foi convidado a ficar na capital soviética, vinculado à Academia de Ciências.
Durante a sua estadia de dois anos em Moscovo ele é aclamado pelo aparato partidário, e parece ter sido deixado em paz para prosseguir com seus estudos.
Só que, em 1937 Lasker levou a mulher para uma visita aos Estados Unidos, com a aparente intenção de voltar.
Eles nunca retornaram !
Naquela altura, Lasker não poderia desconhecer o grande terror promovido por Estaline, uma ameaça que se desdobrava ao seu redor, e o perigo que isso representava para estrangeiros.
Lasker, um dos expoentes máximos do "xadrez como uma forma de arte" não podia sobreviver nem na Rússia de Estaline nem na Alemanha de Hitler.
A maior parte de sua família pereceu no Holocausto, mas a sua sobrinha Anita, que foi obrigada a tocar na banda do campo de concentração de Auschwitz, sobreviveu para contar a sua história.


Guerra e xadrez eram duas coisas que a União Soviética sabia fazer.
E essas duas coisas estavam conectadas desde o princípio na pessoa de Nikolai Vasilyevich Krylenko (1885-1938).
Lenine, nomeou Krylenko chefe do comissariado de justiça, assim que os bolcheviques se renderam aos alemães.
Quando na Checoslováquia lançaram o terror vermelho no final daquele ano, Krylenko declarou:
"Precisamos executar não só os culpados.
A execução de inocentes impressionará ainda mais as massas".


Krylenko, colocou essas ideias em pratica no decorrer da sua carreira sangrenta. Depois, em 1937, quando Estaline se voltou contra os veteranos da polícia secreta, Krylenko foi não só "liquidado", mas também varrido da história. Somente nos anos 60 o velho monstro foi reabilitado como um dos fundadores do xadrez soviético.

Isso porque, em 1924, Krylenko assumiu a tarefa de transformar o xadrez no jogo nacional da União Soviética.
Como presidente da secção de xadrez do conselho supremo de cultura física das repúblicas socialistas russas, Krylenko persuadiu o Kremlin a organizar o primeiro torneio internacional em Moscovo, em 1925, um evento que foi precursor de outros dois, um em 1935 e o outro em 1936.
Na sua introdução ao livro do torneio, ele escreveu: "Em nosso país, onde o nível cultural é comparativamente baixo, onde até agora os passatempos típicos das massas eram a fabricação de bebidas alcoólicas, a embriaguez e as brigas, o xadrez é um meio poderoso para a elevação do nível cultural geral".
Krylenko, editou o principal jornal soviético de xadrez, o "64", mantendo controle ideológico sobre a comunidade de xadrez que rapidamente chegou a dezenas de milhões de jogadores.
O slogan do partido era: "Levem o xadrez aos trabalhadores!".


A popularidade maciça do jogo que foi despertada pelo torneio de Moscovo de 1925 está registrada em "A Febre do Xadrez", de Vsevolod Pudovkin e Nikolai Shpikovsky, um agradável filme mudo que não fornece pistas a respeito dos monstros já hipnotizados pelo sono que tomou conta da razão na Rússia. José Raúl Capablanca, o campeão mundial cubano, apareceu como figurante nessa estória de um jovem tão obcecado pelo xadrez que negligenciava a namorada.


Chess Fever, 1925

Os milhões de jovens pioneiros soviéticos do xadrez de cujos quadros emergiu a primeira geração de mestres soviéticos do jogo estavam, de forma similar, distraídos do pesadelo que era a realidade do "Gulag".
Num Estado no qual a religião era brutalmente suprimida, o xadrez tornou-se um dos ópios do povo.


A princípio, o xadrez soviético tinha poucos resultados que justificassem os escassos recursos investidos pelo Estado na criação de um elaborado sistema hierárquico.
O primeiro torneio de Moscovo, em 1925, foi de facto ganho por um russo, Yefim Bogolyubov, que ficou a frente de Lasker e de Capablanca.
Só que, ele logo se juntou às legiões de imigrantes russos na Alemanha.
E o mesmo fez Alexander Alekhine, que sucedeu a Capablanca como campeão mundial, mas que jamais retornou à Rússia, vagueando pela Europa, fumando e bebendo compulsivamente.
Durante a decisão do campeonato de 1935 com o holandês Max Euwe, um confronto que perdeu, Alekhine foi encontrado bêbado num campo.
Dois anos mais tarde ele recuperou o título, não tendo bebido nada, a não ser leite, durante o campeonato.


O destino de Alekhine, e dos outros intelectuais do género, que deixaram a sua pátria, foi imortalizado no primeiro grande romance de Vladimir Nabokov, "A Defesa Luzhin".
Escrito em russo quando o jovem escritor lutava para sobreviver em Berlin da década de 20, o livro conta a história de Luzhin, um gênio do xadrez que vive na fronteira da insanidade, e para quem o mundo fenomenal - o mundo da política, do dinheiro e até mesmo do amor - mal existe.
Uma jovem se dispõe a salvar Luzhin daquilo que ela considera como a monomania do rapaz, mas ele não sabe ao certo se quer ser salvo.
Ele só é capaz de resolver a sua crise existencial por meio do suicídio.
Nabokov, ele próprio um grande jogador de xadrez, descreve com perfeição a psicologia do jogo.
O título dá uma dica: A defesa Luzhin seria uma abertura de xadrez, mas no livro ela significa o mecanismo profiláctico atrás do qual Luzhin se refugia.
O autor também usa o jogo como uma metáfora da vida intelectual, e o romance é uma elegia para a frágil cultura européia que ele vê desmoronar à sua volta.


Luzhin, não é um personagem baseado em nenhum indivíduo em particular, mas, além de Alekhine, ele se assemelha a dois outros Grandes-mestres imigrantes:
Aron Nimzowitsch e Akiba Rubinstein, oriundos de famílias judaicas devotas, da Letônia e da Polônia, respectivamente.
Ambos jogavam um xadrez de grande originalidade, mas não tinham a tranqüulidade nem a garra para se tornarem campeões mundiais.
Os dois eram solitários ascéticos, psicologicamente frágeis e excêntricos.
Nimzowitsch, fazia exercícios calisténicos durante os seus jogos.
Um brilhante escritor, mas completamente absorvido pelo seu próprio universo, ele fez de si o principal teórico da escola hipermoderna com o tratado "O Meu Sistema". Rubinstein, assim como o fictício Luzhin, às vezes pulava pelas janelas se um estranho entrasse na sala !
Ele passou os últimos 30 anos da sua vida num hospício.


O primeiro e maior herói do xadrez da União Soviética foi Mikhail Botvinnik.
Nascido em 1911, ele pertenceu à primeira geração a chegar à maturidade sob o comunismo, e, assim como vários dos seus contemporâneos, era formado em engenharia - de facto, ele mais tarde deu importantes contribuições à computação soviética.
A sua primeira aparição no exterior, no torneio anual de Hastings, em 1934, foi um fracasso.
Botvinnik trabalhou no sentido de corrigir suas deficiências, e quando retornou à arena internacional, no torneio de 1936 em Nottingham, ficou em primeiro lugar, juntamente com Capablanca e a frente de Euwe, Alekhine e Lasker - todos campeões ou ex-campeões mundiais.
Nenhum jovem soviético fora tão célebre antes.


O domínio soviético do xadrez foi estabelecido pela vitória de Botvinnik na partida decisiva do torneio de 1948 em Haia, que incluiu os cinco principais Grandes-mestres após a morte dos campeões mundiais Alekhine, Lasker e Capablanca.
Nunca se dissipou completamente a suspeita de que Paul Keres, um jovem estoniano cujos resultados antes e no decorrer da guerra eram iguais aos de Botvinnik, sofreu pressões das autoridades soviéticas como resultado da sua suposta "colaboração" durante a ocupação nazi.
Keres, jogou bem contra os seus outros três rivais, mas desmoronou contra Botvinnik, possibilitando que este fosse o novo campeão.
No meio do torneio, a liderança soviética entrou em pânico devido à ameaça representada pelo campeão norte-americano, Samuel Reshevsky, que venceu Botvinnik em um óptimo jogo.
Botvinnik foi obrigado a se explicar ao comité central, mas foi capaz de assegurar que poderia vencer.
Se o norte-americano, que perdeu o impeto na segunda metade do torneio e que terminou em terceiro lugar, tivesse vencido o título, Estaline poderia ter retirado o apoio não só a Botvinnik, mas a toda a infraestructura do xadrez soviético.


Tal como vários GM`s anteriores a ele, Botvinnik era judeu, e como muitos outros judeus comunistas com o seu histórico, ele acreditava que o novo Estado socialista colocaria um fim aos pogroms da Rússia czarista.
De facto, o xadrez soviético alcançou a supremacia em parte porque os nazis mataram ou mandaram para o exílio praticamente todos os judeus da Europa Central e Ocidental.
Embora, a maior parte dos maiores mestres de xadrez soviéticos fosse judaica - além de Botvinnik havia David Bronstein, Mikhail Tal, Yefim Geller, Viktor Korchnoi e Garry Kasparov (nascido Weinstein) -, Estaline era anti-semita.
Até mesmo na era Brezhnev, os judeus (incluindo numerosos mestres de xadrez) sofreram discriminação e sobre eles pairavam suspeitas de lealdades duplas, especialmente quando os dissidentes judeus exigiram o direito de emigrarem para Israel.
Natan Sharansky, conseguiu manter-se lúcido na prisão em parte porque jogou de cabeça milhares de partidas de xadrez contra si próprio.
Sharansky foi durante um curto período ministro de governo de Ariel Sharon, e, com o seu livro "A Case for Democracy", foi também uma inspiração para famigerado presidente George W. Bush.
Mas o facto que o deixa mais orgulhoso foi que, quando o maior de todos os campeões russos, Garry Kasparov, visitou Israel e fez uma demonstração simultânea contra oponentes múltiplos, Sharansky ainda estava suficientemente em forma para derrotá-lo !
A experiência de Sharansky faz lembrar uma das melhores histórias já escritas sobre o xadrez: "Novela de Xadrez" de 1941, um romance do escritor judeu austríaco Stefan Zweig.


Quando a poeira baixou após a guerra, ficou claro que os russos tinham superado em muito os outros países no xadrez.
Os Estados Unidos, que, parcialmente graças à imigração judaica da Europa, emergiram como a nação mais poderosa do xadrez na década de 30, ficaram chocados em setembro de 1945 quando, no primeiro torneio importante do pós-guerra entre as novas superpotências, a União Soviética massacrou a equipe norte-americana em uma disputa por rádio.
No ano seguinte a URSS aniquilou a Inglaterra.
Durante as três décadas seguintes, a única concorrência séria aos russos veio dos próprios países satélites, o que conferiu credibilidade à advertência de Khrushchev ao Ocidente capitalista: "Nós vamos enterrá-los".


A supremacia comunista possuía uma base ideológica ("teórica") e outra prática. Esperava-se que a "escola de xadrez soviética" elevasse a teoria do jogo, em estratégia e em táctica, a um patamar muito mais alto do que teria sido possível na cultura burguesa do Ocidente:
"Se uma cultura está em declínio, o xadrez também seguirá ladeira abaixo", escreveu Botvinnik.
Havia um traço nacionalista nessa ideologia: as aberturas foram rebatizadas com nomes de mestres russos, e os mestres estrangeiros foram caluniados ou removidos da história oficial.


Mas a base real da escola soviética era a sua colossal infraestrutura, que criou um exército de milhões de jogadores.
Conforme a grande campanha soviética de treinamento dava frutos, e literalmente centenas de jogadores atingiam o nível de Mestre ou Grande-mestre entre os anos 40 e 60, um vasto sistema de recompensas e punições foi construído, repleto de brigas e denúncias intermináveis.
A vida de um profissional do xadrez era privilegiada: as remunerações eram bem mais altas do que os salários médios do cidadão comum, e as viagens ao exterior eram permitidas.
Botvinnik e o seu sucessor Vassily Smyslov receberam a Ordem de Lenine a maior honra civil soviética - enquanto que nenhum xadrezista profissional britânico chegou a ser sagrado cavaleiro.


Mas a pressão para se conformar ao sistema era intolerável para alguns, e um fluxo constante de xadrezistas refugiados seguiu para o Ocidente.
O mais famoso deles foi Viktor Korchnoi, que disputou o campeonato mundial por duas vezes, em 1978 e em 1981 com Anatoly Karpov.
Korchnoi, agora um cidadão suíço, alegou que os seus oponentes soviéticos usaram truques sujos para derrotá-lo.
Embora Korchnoi tenha perdido ambos os torneios, ele ainda joga um xadrez no nível mais elevado, mesmo com os seus mais de 70 anos de idade.
Boris Spassky também partiu para um exílio voluntário na França, após a sua derrota para Bobby Fischer.
Um outro dissidente foi o grande mestre checo Ludek Pachman, que foi preso devido à sua participação na Primavera de Praga em 1968.
Esse marxista que se tornou anticomunista quase morreu no sótão de torturas para o qual foi arrastado no meio da noite.
A fim de tentar escapar de mais torturas, tentou se matar, e disseram a sua mulher que ele não sobreviveria.

Assim como o xadrez reflectiu a Guerra Fria, ela também marcou a queda do
comunismo.
Em 1972, Bobby Fischer, o jovem prodígio norte-americano, tornou-se o primeiro ocidental a desafiar um campeão mundial soviético, Boris Spassky.
O confronto ocorreu em Reykjavik (tal como os seus ancestrais Vikings, os islandeses são fanáticos pelo xadrez).
A história desse confronto extraordinário foi contada inumeras vezes:
como as exigências de Fischer fizeram com que o evento quase fosse abortado antes mesmo de começar;
como Henry Kissinger telefonou para Fischer - "Este é o pior jogador do mundo a telefonar ao melhor jogador do mundo" - a fim de persuadi-lo a jogar;
como o capitalista britânico Jim Slater dobrou o valor do prêmio:
como Fischer finalmente apareceu, perdeu o primeiro jogo, desistiu no segundo, deixando todo mundo na expectativa, venceu o terceiro
(a primeira vez na vida que ele venceu Borys Spassky), e daí para frente avançou sem olhar para trás.
Em retrospectiva, sabemos hoje que nesta altura a Guerra Fria já tinha amaciado, e que as novas tecnologias electrónicas, civis e militares, que estavam começando a transformar o Ocidente, já haviam condenado o comunismo.
Naquela época, porém, isso ainda não era óbvio, e a vitória de Fischer sobre Spassky foi um golpe psicológico.
O próprio Fischer viu o jogo como "o mundo livre contra o russo mentiroso, traiçoeiro e hipócrita... Deu-me grande prazer como uma pessoa livre ter esmagado essa coisa".


A União Soviética continua dominando o xadrez ocidental postumamente, já que a maior parte dos principais Grandes-mestres nos Estados Unidos, Israel, Holanda ou Alemanha é composta actualmente por imigrantes do ex-bloco oriental.
No entanto, o GM que reinou durante a fase final da real hegemonia soviética foi Garry Kasparov.
Nascido em Bakú, no Azerbaijão, de uma família judaica Armênia, Kasparov foi ao mesmo tempo o último campeão mundial soviético, e o primeiro campeão mundial pós-soviético.
Nem o velho Mikhail Botvinnik, que o treinou, nem o sucessor de Botvinnik, Anatoly Karpov, nem o sistema ao qual eles serviram tão lealmente poderiam restringir esse impetuoso e jovem génio.
A sua primeira disputa pelo campeonato mundial contra Karpov, em 1984, foi cancelada após cinco meses e 48 jogos pelo presidente da Federação Mundial de Xadrez, Florencio Campomanes, que alegou que os jogadores estavam exaustos.
Isso deixou Karpov na posse do título - o resultado desejado pelo Kremlin.
Depois disso Kasparov preparou-se não só para esmagar Karpov, mas para abrir o sistema soviético.
Tendo vencido o campeonato mundial em 1985, Kasparov recusou-se a obedecer às autoridades soviéticas.
Embora tenha dedicado a sua autobiografia a Gorbachev, quando a União Soviética desmoronou em 1991, ele era abertamente anticomunista.
Kasparov dominou o mundo do xadrez durante 20 anos, até ao seu auto afastamento em março deste ano, e está agora unido à crescente oposição política ao presidente Putin.


O recorde de Kasparov no xadrez eclípsa todos os outros, mas foi a sua misteriosa derrota com o super-computador "Deep Blue" da IBM em Maio de 1997 que deixou a marca mais profunda.
Muitos assumiram que o xadrez seria agora um jogo "resolvido", ainda que os Grandes-mestres continuassem a derrotar até mesmo os melhores computadores.
Foi a Guerra Fria que originalmente estimulou o desenvolvimento de máquinas jogadoras de xadrez, cuja concepção teve como pioneiros o britânico Alan Turing e o norte-americano Claude Shannon, no final dos anos 40.
As duas super-potências utilizaram programas de xadrez para simular conflitos nucleares, e não foi acidente o facto de o primeiro campeonato de computadores ter sido vencido por máquinas soviéticas e norte-americanas.
Em meados dos anos 70, a superioridade ocidental nesta e em outras áreas da cibernética era nítida.


Desde a Guerra Fria o xadrez tem gozado de uma maior liberdade mas de um prestígio menor.
Quando Kasparov foi desafiado em Londres pelo grande mestre britânico Nigel Short, em 1993, não havia nenhum daquele simbolismo que acompanhou a disputa entre Fischer e Spassky, e quando Kasparov finalmente perdeu o seu título para um russo menos exuberante, Vladimir Kramnik, a disputa (também em Londres) só atraiu interesse dentro do universo existente de xadrezistas.


A ascensão e a queda do xadrez como uma metáfora política e uma arma ideológica coincidiram com um dos capítulos mais sombrios da história da humanidade. Mas, destituído da atmosfera de ameaça que era um subproduto da Guerra Fria, o xadrez dissipou grande parte do capital que acumulou no decorrer do século passado.

Como um desporto para espectadores, ele não é capaz de satisfazer um público acostumado a entretenimentos rápidos e que não exigem muito sob o ponto de vista intelectual.
Obstáculos artificiais à competição global foram abolidos, mas a FIDE, a organização internacional do jogo, está de pantanas, controlada e subsídiada por Kirsan Ilyumzhinov, o ditador de uma pequena província russa chamada Kalmykia.
O único outro facto digno de nota na vida de Ilyumzhinov foi o seu relacionamento estreito com Saddam Hussein.
Ele estava a bordo do último avião que deixou Bagdad antes que a coligação liderada pelos norte-americanos invadisse o Iraque.
Apesar da excentricidade da instituição que o controla, o xadrez está florescendo em todo o mundo em desenvolvimento, especialmente nas potências emergentes como a Índia e a China.
Na Europa e nos Estados Unidos o xadrez é hoje mais popular do que nunca, principalmente nas escolas, mas luta para conseguir o reconhecimento público do qual desfrutam outros desportos.
Após o fim da Guerra Fria, o xadrez foi privatizado, e embora ele ainda não tenha atraído o interesse de bilionários russos, o jogo foi um dos grandes beneficiários da revolução da Internet.


Assim que foram implementados os clubes, essa instituição tão inglesa, o xadrez tornou-se uma das grandes forças socializadoras, um equalizador de classe, raça, gênero e geração.
Ele não exige infraestructuras: apenas umas poucas peças de madeira ou plástico.
Tanta coisa é devida por tanta gente ao xadrez que o jogo pode ser visto como um micro-cosmos das nossas realizações, como o nosso companheiro constante através das eras.
Se tudo o que restasse da humanidade fosse o jogo de xadrez, os alienígenas nos conheceriam por aquilo que somos: não apenas o Homo Sapiens, mas também o Homo Ludens.

O raciocínio amador no xadrez

Um texto baseado nos ensinamentos de Jeremy Silman:
O raciocínio amador no xadrez


Todo jogador de xadrez é atraído por belas combinações e ataques agudos efetuados, principalmente, na ala do Rei inimigo. Esta atração os faz querer imitar as grandes jogadas preparadas pelos Grandes Mestres e, como conseqüência, os faz estudar jogos e mais jogos de Kasparov, Alekhine, Tal, entre outros.
Embora a capacidade de assimilação de ensinamentos de cada um seja impossível de ser avaliada em um primeiro momento, podemos dizer, com certeza, que tanto uma compreensão básica dos mecanismos de ataque, quanto o conhecimento de elementos posicionais do jogo de xadrez, sejam imperativos antes de se empreender uma aventura deste tipo. Esses tópicos tendem a serem ignorados pela grande legião de amadores que praticam o xadrez. Por quê?
Será que os jogadores amadores acreditam que assuntos como o domínio de território e do centro do tabuleiro seja muito aborrecido?
Ou será que a falta de literatura, ou mesmo a forma como ela se apresenta, é que seja maçante?
Qualquer que seja a razão para esta relativa displicência, o fato é que a maioria dos amadores não tem a menor idéia sobre temas como o bom uso do espaço ou a vantagem de ter um Peão bem colocado no centro do tabuleiro. Em vez disso, ficam olhando constantemente para o Rei inimigo e forçam seqüências mirabolantes, ou lançam ataques totalmente injustificados.
Na maioria das vezes isso os faz cair em situações apertadas e sem nada mais a fazer para se salvar. Quando percebem o erro, já estão perdidos!
Seria preferível, em vez disso, criar um forte centro de Peões e depois sim, apertar o adversário até o final da partida, ganhando espaço aos poucos.
Depois de terminada a partida, os amadores têm uma única certeza: eles sabem que perderam feio, mas não sabem exatamente o porquê!

Clearing a square or a line

Que me perdõem os amigos tradutores de plantão, mas esse tema tático que encontramos nos livros de xadrez em lingua inglesa e que eles chamam de "Clearing a square or a line", em minha tradução livre e cabocla, ficou sendo simplesmente "abrindo espaços".
E do que se trata esse tema?
Ele aborda aquelas situações onde o posicionamento de uma de nossas próprias peças, ou Peões, está impedindo a realização de uma manobra importante ou um golpe tático significativo.
Nesses momentos, devemos encontrar uma saída para desocupar aquela casa onde está nossa peça ou desbloquear a linha ou coluna que ela está obstruindo.
Quase sempre, mas não necessáriamente, sacrificamos a peça em questão!
Vamos ver alguns exemplos para entender melhor o tema?
Diagrama 1
FEN : b5rk/p3ppbp/1p1p4/4nPQ1/2P1q3/4B2P/P1P1BR1K/6R1 b
Jogam as pretas.
Vocês notaram que a Dama branca está na mesma coluna que a Torre preta de g8?
Só tem um Bispo preto na frente da Torre, atrapalhando a captura da Dama branca.
Mas, como tirar esse Bispo daí sem fazer com que a Dama perceba que estamos atrás dela e saia correndo para se proteger?
Ora, primeiro tiramos o Cavalo de e5 com:
1._____,Nxg4+  e se 2.hxg4,Be5+ ; 3.Kh3,Rxg5 ; 4.Bxg5,f6   se  2.Rxg4,Be5+ ; 3.Bf4,Rxg5 ; 4.Bxe5+,Qxe5+
E a Dama branca está fora do jogo!
Diagrama 2
FEN : r1b2b1r/pppq1kpp/2pn4/4RpB1/8/3P1N2/PPP2PPP/RN1Q2K1 w
Jogam as brancas.
Se as brancas tivessem um Cavalo no lugar da Torre em e5, poderiam ter dado um garfo de Cavalo e logo em seguida capturariam a Dama preta, não é verdade?
Mas, não haveria um jeito de ainda se fazer isso?
Claro que há!
Basta seguir os movimentos:
1.Re7+,Bxe7 ; 2.Ne5+ pronto, lá se foi a Dama preta!
Diagrama 3
FEN : 5rbk/p5p1/qn3p1p/4r3/2pNB3/b1P4R/P1QB1PPP/5RK1 w
Jogam as brancas.
Aquí está óbvio que as brancas irão sacrificar seu Bispo de casas escuras em h6 para abrir a defesa das pretas, não é verdade?
Mas, e depois disso?
Você já sabe o que poderia acontecer?
Vejamos então:
1.Bxh6,gxh6 ; 2.Rxh6+,Kg7 ; 3.Bb7,Kxh6 ; 4.Bxa6
Tinha pensado nisso?
Bem bonitinha a sequência, fala a verdade....!
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sexta-feira, 14 de maio de 2010

Movimentação do Cavalo - parte 1

Criação de pontos de apoio:
Ao contrário do Bispo, o Cavalo é uma peça de curto alcance.
Isso significa que ele precisa avançar pelo tabuleiro para se fortalecer.
No entanto, à medida que avança, fica mais vulnerável ao ataque de peças e Peões inimigos e, por isso, precisa de um ponto de apoio, uma casa segura, onde possa descansar protegido enquanto, simultâneamente, lança uma sombra ameaçadora sobre o tabuleiro.
O ponto de apoio só é ideal quando não pode ser atacado por um Peão inimigo ou quando o ataque de um Peão resulta em um sério enfraquecimento da posição do adversário.
Algumas vezes o ponto de apoio surge de repente, de modo inesperado (o que significa que foi criado por um erro grave do oponente).
Se, durante a partida, aparecer algum desses pontos de apoio, posicione seu Cavalo nele imediatamente.
Em geral, porém, o adversário não costuma ser tão generoso e você mesmo terá que descobrir como criar um ponto de apoio para seu Cavalo.
Um Cavalo posicionado em um ponto de apoio perfeito é o primeiro passo para uma vitória grandiosa!
Vejamos um exemplo:
FEN : 8/7p/1ppn2p1/p3kp2/P1P4P/1PN1KPP1/8/8 b
Jogam as pretas.
Nesta posição, são identificadas duas casas que podem ser pontos de apoio perfeitas para o Cavalo preto: a casa b4 e a casa c5.
Sabendo, então, qual é o objetivo, fica mais fácil se traçar um plano para atingi-lo.
Fazendo primeiro o 1.____,Nb7 logo em seguida joga-se o 2.____,Nc5 atacando o Peão branco de b3.
Se depois for necessário, faz-se o Nb4 através do lance intermediário Na6.

Movimentação do Cavalo - parte 2

As primeira e segunda filas:
Cavalos na primeira e segunda filas são puramente defensivos.
Se não puderem avançar pelo tabuleiro, nunca serão atacantes de verdade.
Na posição mostrada pelo diagrama acima, existe igualdade de material sobre o tabuleiro, mas as pretas estão em grande desvantagem posicional.
O Cavalo branco está fortemente posicionado na quinta fila, de onde controla nada menos do que oito casas (em amarelo).
Por sua vez, o Cavalo preto colocado em h8, controla apenas duas casas.
As brancas podem ganhar com:
1.d6,cxd6 ; 2.Kxd6,Kb7 ; 3.Kd7,Kb8 ; 4.Kc6,Ka7 ; 5.Kc7,Ka8 ; 6.Kxb6  ou então com  1.Kf6  seguido de 2.Kg7 e 3.Kxh8

Movimentação do Cavalo - parte 3

Um exemplo extremo da abrangência de movimentação de um Cavalo podemos ver através da posição mostrada pelo diagrama acima.
Observando bem o posicionamento das peças, compreendemos que um Cavalo na primeira ou na segunda filas praticamente não ajuda em nada.
O Cavalo preto na primeira fila controla quatro casas, enquanto o outro Cavalo preto, posicionado na segunda fila, controla mais seis casas.
Somando-se a abrangência de ambos, chegamos ao total de dez casas (em verde).
O Cavalo branco posicionado na terceira fila, sózinho, domina oito casas (em amarelo).
Diferença brutal, não é mesmo?
Isso sem levarmos em conta que, se quiserem "entrar no jogo", os Cavalos pretos ainda terão que fazer diversos movimentos.

Movimentação do Cavalo - parte 4

A terceira fila
Na terceira fila, o Cavalo já é mais útil para a defesa e, pulando para a quinta fila num único lance, adquire uma postura realmente agressiva.
A partir da posição mostrada pelo diagrama abaixo, por exemplo, as brancas tentam 1.Ng5 com a intenção de destruir as pretas com 2.Qxh7+.
FEN : 2r1n1k1/2q2ppp/1p6/8/7P/3Q1N2/P4PP1/R5K1 w
Jogam as brancas.
A melhor resposta seria 1._____,Nf6, tirando o Cavalo preto da terrível casa e8 e levando-o ao posto f6, muito superior.
FEN : 2r3k1/2q2ppp/1p3n2/6N1/7P/3Q4/P4PP1/R5K1 w
A partir de f6, o Cavalo preto defende h7 e pode sonhar em ir para d5,e4 ou g4.
Observe que g5 não é um ponto de apoio para o Cavalo branco, porque as pretas podem obter o controle dessa casa, jogando h6.

Movimentação do Cavalo - parte 5

A Quarta Fila
Na quarta fila, o Cavalo geralmente é tão bom quanto o Bispo e fica bem posicionado, tanto para o ataque, quanto para a defesa. No diagrama abaixo, por exemplo, o Cavalo dispõe de um ponto de apoio bem firme, a casa d5, de onde pode ser defendido pelo Peão e6 e não pode ser expulso por uma peça inimiga.
FEN : 2r3k1/2q2pp1/1p2p2p/3n4/1P1P4/3QB2P/5PP1/1R4K1
Observe o alcance do Cavalo: ele defende o Peão b6, ataca o Peão b4, pode saltar para c3, e3 ou f4 quando quiser e também pode retornar para c7, e7 ou f6, caso seja necessário.
Compare este Cavalo com os Cavalos dos diagramas anteriores, escondidos em linhas inferiores.
É óbvia a diferença em termos de poder de ataque e flexibilidade.
A Quinta Fila
Num ponto de apoio da quinta fila, o Cavalo é superior ao Bispo.
Pode mirar muitos pontos do campo inimigo, ameaçar Peões e ajudar o resto do exército a preparar um ataque.
A posição do diagrama abaixo favorece o Cavalo preto, que tem tanto e4 quanto g4 como bons pontos de apoio.
FEN : 2r3k1/1pq2pp1/5n2/3p1P1p/3P3P/1NPQ4/6P1/2R3K1
Se for para e4, poderá se juntar à Dama e à Torre num ataque contra c3.
Se saltar para g4, poderá trabalhar com a Dama e desenvolver ameaças contra h2, via _____,Qh2+.
O Cavalo branco, entretanto, não conta com um verdadeiro ponto de apoio.
Poderia ir para c5, mas o Peão b preto poderia avançar para b6 e expulsá-lo.

Movimentação do Cavalo - parte 6

A Sexta Fila
Na sexta fila, o Cavalo atua da mesma forma que um espinho atravessado na garganta.
Infiltra-se no território inimigo, ataca peças e Peões e controla casas críticas diretamente no campo do adversário.
No diagrama abaixo, o Cavalo em e3 é uma ameaça potencial.
FEN : r3r1k1/5p1p/6p1/2p5/q1Pp4/3QnP1B/P5PP/2R1R1K1
Mira os Peões em g2 e c4 e evita que as Torres brancas sigam para f1, d1 ou c2 (a Torre em c1 adoraria avançar para c2 e defender a2, mas esse Cavalo danado torna essa opção um suicídio).
O trabalho em posições fechadas
Os Cavalos demonstram grande poder em posições com Peões bloqueados, chamadas "posições fechadas".
Numa situação desse tipo, em que outras peças ficariam também bloqueadas, os Cavalos simplesmente saltam sobre os obstáculos - os Peões não atrapalham nem um pouco!
Vejamos alguns exemplos de como os Cavalos desenvolvem maior força em posições fechadas, ao contrário de outras peças.
FEN : r2qr1k1/1p1n1p2/p2p3p/2pPp1p1/2P1P1P1/1P5P/P4PB1/R2QR1K1
No diagrama acima, o centro e a ala do Rei estão bloqueados por Peões.
O Bispo branco encontra-se em situação difícil, pois as diagonais estão obstruídas.
O Cavalo preto, no entanto, salta sobre os obstáculos e pode jogar 1._____,Nf8 seguido de 2.____,Ng6 e 3.____,Nf4 para alcançar o ponto de apoio f4.
Num uso mais especial, os Cavalos prosperam quando são colocados à frente de um Peão adversário passado.
Esse tipo de proteção limita a maioria das outras peças, mas os Cavalos são conhecidos como os melhores bloqueadores de Peões passados.
No diagrama abaixo, alguns jogadores poderiam pensar que essa posição seria boa para as brancas.
FEN : 2r2rk1/p3qp1p/1p3np1/2pPp3/2P1P3/6PP/P4PBK/1R1QR3
Elas contam com um Bispo contra um Cavalo preto, que parece não estar fazendo praticamente nada em f6; controlam mais espaço no centro e têm um poderoso Peão passado em d5.
Na verdade, essa posição é melhor para as pretas!
Mas, por quê?
Porque o Bispo branco encontra-se inativo e o Cavalo preto está posicionado para grandes feitos depois de 1.____,Ne8 seguido de 2._____,Nd6.
Em d6 esse Cavalo adquire novas potencialidades: ataca tanto c4 quanto e4, forçando as brancas a destinarem sempre uma peça ou duas para a defesa desses Peões; mantém as peças brancas fora de b5; mira outras casas, tais como b7, c8, e8 e f7; barra o caminho do poderoso Peão branco passado.
Grande proeza para uma única peça, não é mesmo?
Por que o Cavalo em d6 (à frente desse Peão passado) tem maior poder do que teria um Bispo, uma Dama ou uma Torre?
A resposta está na habilidade do Cavalo de saltar sobre outras peças.
Vamos voltar ao diagrama anterior, desta vez com um Bispo preto em d6, em lugar de um Cavalo preto.
FEN : 2r2rk1/p3qp1p/1p1b2p1/2pPp3/2P1P3/6PP/P4PBK/1R1QR3
Este pobre Bispo mais parece um Peão grande do que uma peça do alto escalão, pois os Peões pretos em e5 e em c5 bloqueiam sua atividade.
Imaginemos agora uma Torre em d6.
FEN : 2r2rk1/p3qp1p/1p1r2p1/2pPp3/2P1P3/6PP/P4PBK/1R1QR3
Também é um desastre, pois ela precisa de espaço em colunas abertas.
E no caso da Dama preta, essa peça é forte demais para limitar-se ao papel de protetora de um mero Peão!
O Cavalo, ao contrário, posiciona-se eficientemente em d6, à frente do Peão branco passado, pois pode exercer de maneira simultânea papéis ofensivos e defensivos - algo que outras peças não podem fazer.